quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Livro Que Está Dando o Que Falar - Continuação

     Semana passada um amigo meu, que também é leitor do Blog Fundamentos Inabaláveis, telefonou-me para expressar sua opinião sobre o nosso artigo sobre o livro A Cabana. Ele sugeriu que eu deveria ir mais direto ao ponto, ser mais incisivo. Pois bem, a opinião de um amigo e leitor de nosso blog é importante para mim e considerei a crítica. Portanto, nesta segunda parte do nosso artigo, pretendo ser o mais direto possível. 
     Pois bem, continuando a lista de pontos que considerei errôneos no livro de William P. Young, cito então o segundo ponto que se segue:


2) Na página de número 101, Jesus diz a Mack: "Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai ou com Sarayu" ("Papai" e "Sarayu" são dois títulos que o autor usa para identificar o Pai e o Espírito Santo em sua obra - grifo meu). Lembro-me de algo um tanto interessante que um pastor, amigo meu, disse-me tempos atrás:    - "Roney, às vezes estamos pregando heresias sem que nos demos conta disso!" 
Para justificar sua fala, ele citou o seguinte exemplo: 
- "As vezes dizemos que Jesus é semelhante ao Pai", 
e logo em seguida ele mesmo corrigiu a frase 
- "Jesus não é semelhante ao Pai, Ele é igual ao Pai!" 
De fato, a frase que ele citou para mim justifica bem esta questão, pois ela apresenta uma diferença muito sutil, quase imperceptível, mas carregada de significado. Ora, Jesus é igual ao Pai e não apenas semelhante, pois ser semelhante não é a mesma coisa que ser igual. No caso de Jesus e Deus, o autor da epístola aos Hebreus deixa clara esta verdade ao fazer a seguinte afirmação: "O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas" (Hebreus 1.3 na Nova Versão Internacional - note a frase "expressão exata do seu ser"). Caso parecido é o que temos na página 101 de A Cabana. Afirmo com convicção: "Jesus não é o melhor modo de se chegar a Deus e ao Espírito Santo, na verdade Ele é o Único Caminho!" Não há outro caminho e esta é uma verdade patente e irrevogável na teologia do Novo Testamento: "Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus" (1 Timóteo 2.5 - na Nova Versão Internacional). Em João 14.6 Jesus diz: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai a não ser por mim". Esta declaração de Jesus é enfática e exclui qualquer possibilidade de se chegar a Deus independente DEle! Jesus mesmo não abre exceção fora de Si mesmo. Ele é o Salvador, de modo que todo aquele que crê NEle tem a vida eterna, e não entra em condenação! (João 5.24 - confira também João 3.16-18). Desse modo, o Senhor Jesus é exclusivo nesse sentido! Quando o autor coloca Jesus dizendo que Ele é "o melhor caminho (e não o único) para se chegar a Deus e ao Espírito Santo" ele acaba abrindo mão de um princípio de fé puro, cristalino, encontrado em abundância nas Sagradas Escrituras.


3) Outro ponto negativo que encontrei em A Cabana é que o autor do livro parece indicar (e isso até com certa clareza para dizer a verdade) que Deus não se preocupa com hierarquias dentro do sistema eclesial. Concordo que em Cristo, somos iguais e que muito abuso tem sido feito por se interpretar isto equivocadamente, mas a hierarquia faz parte sim do sistema eclesial e é amparada pelas Escrituras, não como forma de domínio sobre os mais fracos e de opressão, mas como forma de ordem e de glorificação para Deus. Veja o que diz o autor da epístola aos Hebreus: "Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros" (13.17 na Versão Almeida Revista e Atualizada). Bem, estimado leitor ou leitora, não há como negar à luz deste texto bíblico que Deus se importa sim com hierarquia em sua Igreja. A ideia que a palavra "hierarquia" traz é de comando, liderança, subordinação e respeito aos líderes, e isso faz parte do contexto eclesial em que vivemos.


Considerações Finais. Concluindo nosso artigo sobre o livro A Cabana quero transcrever aqui as palavras do Pastor estadunidense Albert Mohler Jr. em artigo publicado com o seguinte tema: "A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico"; ele diz: "Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.
Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.
A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.
A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico... A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina". 
Para ter acesso ao artigo na íntegra (o que eu sugiro), é só clicar no link abaixo:
Espero sinceramente que você tenha gostado do artigo. Indique nosso blog a familiares e amigos - essa é uma poderosa arma de divulgação! Deus o abençoe ricamente em Cristo.
Roney Ricardo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário