quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

PORQUE TENHO AVERSÃO À ALGUNS PREGADORES PENTECOSTAIS?


     Sei que o título da postagem é forte, ainda mais vindo de um pregador que também é pentecostal. Já de início deixo claro que não pretendo aqui depreciar ninguém e portanto não vou citar nenhum nome, embora em minha mente eu tenha a imagem de alguns desses conhecidos pregadores pentecostais que tanto ouvi no passado, mas hoje já não consigo mais. Sei que pode parecer um paradoxo, mas também reconheço que estes pregadores pentecostais, no modelo que citarei a seguir, são sim, muitas vezes, homens de fato chamados e capacitados por Deus, mas não resta dúvida de que uma pessoa pode agir mau em relação àquilo que recebeu de Deus (lembremo-nos da parábola dos talentos!). Fica claro também que esta minha aversão não é por questões pessoais - evidente! - haja vista eu não conhecer pessoalmente esses pregadores. Essa aversão vem em decorrência das atitudes deles ao púlpito, diante das pessoas. Que atitudes são essas? Eu respondo:

     1) Arrogância - vejo isso com frequência em conhecidos pregadores pentecostais. Postam-se diante da Igreja com ar de superioridade, fazem questão de pronunciarem frases em inglês, mudam a voz, citam sua formação e com quem estudaram e por aí vai. Isso é um perigo! Como disse um grande teólogo pentecostal brasileiro: "As pessoas que não são querem mostrar que são, mas as que não são geralmente não demonstram que de fato são!" Alguns procuram até justificar esse comportamento usando textos isolados da Bíblia, esquecendo-se contudo da exortação de Paulo em Filipenses 2.5ss, sobre o valor da humildade. Que nossos jovens pregadores jamais trilhem por esse caminho mau!

     2) Grosseria - essa é também outra atitude que tem se tornado comum a alguns pregadores pentecostais conhecidos. Recentemente vi um caso que me chamou a atenção. O pregador mandou uma irmã calar a boca ao microfone! Fiquei estarrecido! Este tipo de coisa jamais deveria acontecer em nossos cultos. Alguém procura justificar esse comportamento dizendo que se trata do temperamento de cada um, de sua terra de origem e por aí vai. Mas, pergunto: não é a vida cristã uma busca contínua pelo fruto do Espírito (Gl 5.22), que inclui a mansidão? Um alerta: não confundamos grosseria e falta de educação com autoridade de Deus! São coisas TOTALMENTE distintas.

     3) Sensacionalismo - outro subterfúgio lamentável que é usado por pregadores pentecostais no afã de "mover a massa", levar o povo a glorificar. Nós pentecostais criamos a cultura de que a nossa pregação só tem êxito se a Igreja glorificar e vibrar com a pregação. Com isso, já vamos ao púlpito submetidos à esse pensamento e com isso passamos a querer como que, através de recursos psicológicos, forçar a Igreja a glorificar em alta voz e vibrar com cada frase que pronunciamos. Sem dúvida que é algo glorioso quando a Igreja glorifica a Deus, em alta voz ou não, quando a Igreja chora, quando a Igreja corresponde ao que falamos. Sim! Isso é ótimo e como pregador eu reconheço isso. Mas penso que isso tem de ser algo natural, não artificial. A Igreja deve ser levada a adorar, não forçada a adorar. Adoração é algo espontâneo. 

     Minha conclusão diante do exposto é que devemos definitivamente evitar esses erros e não tomar esses pregadores pentecostais que assim agem como referências para nós e para nossos jovens que estão iniciando no ministério da pregação bíblica. É claro que o Movimento Pentecostal nos deu grandes pregadores! Eu ainda me pergunto de onde é que extraímos esse modelo vergonhoso que vemos nesses pregadores, pois o Movimento Pentecostal em suas raízes não oferecia isso! É preciso que eu diga ainda que esses erros são cometidos não apenas pelos pregadores famosos. Nosso olhar recai mais sobre eles por estarem em evidência, mas isso ocorre também em "nossa casa", em nossos templos, pois infelizmente muitos tem adotado esse modelo. Mas minha oração é para que voltemos (inclusive esses pregadores famosos aos quais tenho aversão) a pregar com simplicidade, anunciando a Cristo e não a nós mesmos!

Em Cristo,
Roney Ricardo.


domingo, 9 de dezembro de 2012

“O Avivamento nos Dias do Livro Esquecido”


“O Avivamento nos Dias do Livro Esquecido”
2 Reis 22.8

INTRODUÇÃO
            Precedido por dois ímpios reis, que governaram a nação de Judá de forma hedionda, Josias, assumindo agora o trono de Judá, age totalmente diferente. O cronista bíblico afirma que ele reinou sobre Judá 31 anos, tendo começado a reinar com a idade de oito anos apenas. Com apenas 16 anos de idade (no oitavo ano do seu reinado) começou a buscar ao Senhor (2 Cr 34.3) e iniciou um reforma espiritual em Judá quando tinha apenas 20 anos (2 Cr 34.3).

I – UM FATO INESPERADO!
            Ao enviar o secretário (ou escrivão, como consta em outras versões) Safã ao Sumo Sacerdote Hilquias com a finalidade de tratar da questão da coleta das ofertas para a manutenção das obras de restauração do templo, o Sumo Sacerdote dá conta de que havia encontrado algo muito especial: Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu”.

II – O QUE ACONTECE QUANDO A PALAVRA DE DEUS É ENCONTRADA?
            Percebemos na leitura do texto bíblico, na narrativa que encontramos ali, que houve surpresa por parte do sacerdote Hilquias, do escrivão Safã que recebeu e leu o livro da Lei (possivelmente se tratava de um exemplar do Pentateuco, ou do livro de Deuteronômio) e principalmente da parte do rei Josias. Depreendemos disso que este Livro Santo achava-se perdido há tempos! Certamente jazia como um objeto esquecido no interior do templo, mas agora, achado!
O que acontece quando a Palavra de Deus é encontrada? Procurarei responder a esta pergunta com base no próprio texto bíblico em que está embasado este esboço, considerando que hoje, em pleno século 21, quando a Bíblia é de longe o livro mais impresso, mais publicado, mais vendido e mais lido no mundo inteiro, além de ser também o mais traduzido, é também o Livro que está “esquecido” por milhares de cristãos em nosso tempo. Nesse sentido, a Bíblia encerra um verdadeiro paradoxo!

Quando a Bíblia é encontrada:

Ø  Ocorre avivamento genuíno! Avivamento que vem pelo reconhecimento do pecado, pela convicção de pecado, pela convicção de que precisamos ser restaurados por Deus! Diz a Bíblia: Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes” (2 Re 22.11).  Podemos afirmar, sem medo de errar e tendo como testemunhas a História Bíblica e a História da Igreja, que não há avivamento sem o retorno genuíno às Sagradas Escrituras!

Ø  Ocorre quebrantamento. Lemos mais adiante, nas palavras da profetiza Hulda, quando ela fala em relação ao piedoso rei Josias: Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que falei contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor” (2 Re 22.19). “O teu coração se enterneceu”, “te humilhaste perante o Senhor”, “rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim” são expressões que denotam uma atitude de quebrantamento perante o Senhor. Deus não resiste à um coração quebrantado! O profeta Isaías afirma: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15).

Ø  Ocorre o adiamento do juízo divino. Deus prometeu a Josias que seus olhos não veriam o mal que Ele permitiria vir sobre Judá, como castigo por sua rebeldia, dado o seu arrependimento e contrição perante o Senhor (2 Re 22.19,20). Lembremo-nos do grande avivamento ocorrido em Nínive, que prorrogou o juízo divino em aproximadamente 100 anos! (Jn 3.5-10).

Ø  Ocorre atenção às verdades eternas reveladas na Bíblia. Como é maravilhoso lermos o testemunho que o próprio Deus, através da profetiza Hulda dá à respeito do rei Josias: “Já que o seu coração se abriu e você se humilhou diante do Senhor, ao ouvir o que falei contra este lugar e contra seus habitantes, que seriam arrasados e amaldiçoados, e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu o ouvi, declara o Senhor.
Portanto...”
(2 Reis 22.19-20 na NVI). Notemos as expressões bíblicas: “o seu coração se abriu”, “você se humilhou... ao ouvir o que falei...” Quando isto ocorre também em nossas vidas, isto é, quando nosso coração se abre diante das límpidas verdades da Palavra de Deus, quando nos humilhamos diante do Senhor, temos o “Portanto” de Deus, palavra que no contexto da passagem bíblica que estamos analisando indica mudança de atitude da parte de Deus, mudança no sentido de abençoar e não amaldiçoar!

CONCLUSÃO
            Valmir Nascimento, em artigo publicado no CPAD News1, cita a seguinte pesquisa: “Pesquisa realizada pelo editor e jornalista da Abba Press & Sociedade Bíblica Ibero-Americana, Oswaldo Paião, revela uma verdade inconveniente para o mundo evangélico: cerca de 50,68% dos pastores e líderes nunca leram a Bíblia Sagrada por inteira pelo menos uma vez. Foram entrevistados 1255 pessoas de várias denominações, sendo que 835 participaram de um painel de aprofundamento. A desculpa alegada? Falta de tempo”.  O teólogo e pastor, Gilvan Pereira, em sua apostila O Que é Preciso Para Tornar-se Um Verdadeiro Obreiro? (obra que tive o prazer de editar e diagramar), falando sobre a vida devocional do obreiro, faz o seguinte alerta: “Reserve um tempo. Sim, pode parecer impossível encontrar até mesmo dez minutos extras em seu dia agitado. Mas a verdadeira questão é: Quão importante para você é sua relação com Deus? Você consegue tempo para refeições e outras coisas que considera importantes. O dia tem exatamente 1.440 minutos; você não consegue descobrir nem mesmo dez deles para estar com seu Pai celestial? Não espere até ter um tempo livre; você provavelmente não terá nenhum! Em vez disso, reserve um tempo certo todos os dias, um tempo em que você esteja descansado e não seja interrompido (mesmo que inicialmente sejam apenas alguns minutos). Não espere até estar com sono ou preocupado demais. Deus não merece os melhores minutos do seu dia?” (p. 21). No artigo citado aqui, continua Valmir Nascimento: “Caros amigos, ao ler tal pesquisa lembro-me de outro estudo realizado pelo instituto George Barna, conforme relato de Charles Colson e Harold Ficket (A fé em tempo pós-moderno): 70% dos norte-americanos não são capazes de citar cinco dos dez Mandamentos; 50% dos jovens do último ano do ensino médio pensam que Sodoma e Gomorra eram casados. Recordo-me, ainda, daquela velha anedota segundo o qual alguns crentes pensam que as espístolas eram as esposas dos apóstolos (ou esposa do apóstolo Paulo), e que Jesus tocava um intrumento por nome esquife.
É cômico, porém, lamentável, percebermos tal analfabetismo bíblico entre o povo cristão. Alegar falta de tempo para leitura da Bíblia é uma desculpa por demais esfarrapada. Calha, então, relembrar as palavras de Paulo ao jovem obreiro Timóteo: ”Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade..” 2Tm 2.15”.

Em Cristo,
Roney Ricardo

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1 – Site CPAD News.
Link: http://cpadnews.com.br/blog/valmirnascimento/?POST_1_30_++++++UMA+PESQUISA+INCONVENIENTE+SOBRE+PASTORES+E+LEITURA+DA+B%EDBLIA.html
Acesso em 09/12/12
  



domingo, 25 de novembro de 2012

CONFERÊNCIA TEOLÓGICA

Confira abaixo os vídeos da CONFERÊNCIA TEOLÓGICA realizada na AD Central de Porto de Santana (Pr. Evaldo Cassoto), Cariacica, ES, abordando o tema DESAFIOS TEOLÓGICOS DO SÉCULO 21: SECULARISMO E SINCRETISMO RELIGIOSO E TEOLOGIA LIBERAL. Participação dos teólogos Alex Belmonte, David Mesquiati, Richard Lazarini e Roney Ricardo.

Parte 1

Parte 2

Parte 3





domingo, 4 de novembro de 2012

Igreja, inclusivismo e não exclusivismo!

     Confesso que em minha caminhada cristã eu mudei muito e em muitos aspectos. Não mudei em relação à ortodoxia bíblica, isto é, em relação às doutrinas fundamentais da Bíblia. Continuo crendo que Jesus Cristo é o Único Caminho para o homem chegar a Deus e não apenas o melhor caminho - Ele mesmo declara isto: João 14.1 a 6 e Paulo corrobora esta verdade em 1 Timóteo 2.5. Continuo crendo que a Divindade subsiste eternamente em Três Pessoas distintas - o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Continuo crendo que a Bíblia É a Palavra de Deus e não que ela se torna ou que contém a Palavra de Deus - outra vez afirmo: a Bíblia é a Palavra de Deus. Continuo crendo que a salvação vem pela exposição da mensagem do evangelho, é obtida pela fé em Cristo somente e torna o pecador arrependido justificado em Cristo perante Deus (Romanos 1.116,17; 5.1ss). Continuo crendo que o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais são uma realidade para a Igreja hoje, em pleno século 21 (eu mesmo sou testemunha viva disto) e continuará até que Jesus regresse. Continuo crendo que o pecado é uma realidade hoje que afeta a todos nós e que a santificação é requisito necessário para a vida do cristão enquanto viver aqui (Hebreus 12.14). Continuo crendo em outras verdades bíblicas fundamentais que eu poderia aqui alistar, mas as que citei já ilustram bem minha intenção de não me afastar jamais das verdades bíblicas essenciais e que também foram proclamadas pela Reforma Protestante no século 16 e pelos nossos antecessores que velaram pela sã doutrina. Nesse sentido, não pretendo mudar jamais! Que Deus nos preserve assim! Amém. Mas percebo que em muitos aspectos da nossa vivência diária como cristãos, em relação à Igreja e à sociedade, tínhamos que mudar sim! Um dos erros que percebo que por muito tempo cometemos foi o erro de pensar que por sermos servos e servas de Deus deveríamos nos manter afastados das pessoas que não professam a mesma fé e que não vivem a mesma comunhão com Deus que temos. Há alguns anos atrás, talvez eu jamais sairia para um programa de lazer com amigos não crentes, mas como você pode ver na foto abaixo, eu mudei bastante (rsrsrsrsrs).

Eu (de luvas brancas) no paintball com amigos do trabalho

     Na foto acima, apenas eu e o amigo Ricardo (atrás de mim com o marcador levantado) somos crentes em Jesus. Os outros, alguns são católicos, outros não, enfim, não são evangélicos. Foi minha segunda vez no paintball e confesso que foi muito bom! Não houve bebedeira, não houve contenda, não houve conversas imorais, enfim, foi muito agradável, haja vista os colegas não crentes nos respeitarem muito como cristãos que somos. É bem verdade que nem sempre isso é possível. Mas acredito que sempre que houver essa possibilidade, devemos sim cultivar amizades com pessoas não crentes, almoçar com pessoas não crentes, ir à casa de pessoas não crentes, participar de festas com pessoas não crentes, desde que isso não nos leve ao escândalo e à práticas imorais. Acredito que é justamente aí que temos a oportunidade de sermos "sal da terra e luz do mundo" (Mateus 5.13-16). Ser crentes no templo, durante o culto, é bem mais fácil. Mas é na convivência diária que mostramos a luz do evangelho brilhando em nossas vidas e alcançando os que ainda não abraçaram a verdade do evangelho. Portanto, eu defendo que a Igreja deve ser inclusivista em relação à sociedade no sentido de influenciá-la e não de ser influenciada por ela. Penso que a Igreja não deve ser como um clube fechado, ou uma seita onde só os "iniciados" tem vez, mas uma força poderosa que influencia aqueles que estão ao nosso redor, aqueles que fazem parte do nosso ciclo de convivência diária, seja em casa, no trabalho, enfim, por onde estivermos! Por favor, amado leitor e amada leitora, não pense que estou aqui defendendo a nossa adesão à práticas pecaminosas no afã de alcançar as pessoas não crentes, como algumas igrejas tem feito em nossos dias. Definitivamente não! Mas defendo sim que a Igreja deve abrir os braços para aqueles que não se entregaram a Cristo ainda. Como cristãos que somos, genuínos, devemos sim conviver com pessoas não crentes no sentido de influenciá-las a Cristo, afinal, como poderemos ganhar o mundo se nos fechamos para ele? 
Em Cristo,
Roney Ricardo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Nota de Agradecimento!

É com grata satisfação que venho, nesta nota, externar em meu nome e em nome do IBFI a nossa mais profunda gratidão. Em primeiro lugar, a Deus, que mais uma vez nos deu um sinal de Sua aprovação sobre nosso trabalho através do que nos ocorreu nestes últimos dias. Em segundo lugar, ao aluno do IBFI e nosso amigo que com liberalidade, boa vontade e por acreditar em nosso trabalho, ofertou ao instituto a quantia de R$ 500, em dinheiro! Esse irmão, que prefere se manter anônimo, conversou comigo há algum tempo dizendo que ofertaria ao IBFI com um valor em dinheiro. Como ele havia me dito, assim o fez. O mais interessante é que esta oferta vem justamente num momento crucial para o IBFI. Hoje, trabalhamos com duas impressoras, uma HP PRO 8000 e outra HP PRO 8100. A primeira acabou de parar - já há algum tempo vinha apresentando problemas em seu funcionamento e agora parou de vez. Mas justamente agora, esta oferta chegou e estaremos ainda esta semana, se Deus permitir, comprando outra impressora novinha, graças a esta colaboração, porque do contrário, realmente não teríamos condições! Mas Deus é o nosso Provedor. Que Deus possa recompensar a esse irmão ricamente em Cristo por sua liberalidade para com a Obra de Deus. Nossa profunda gratidão a ele! E que você, estimado leitor e leitora do nosso blog, possa orar pelo nosso projeto! Contamos com seu apoio!

Roney Ricardo
Diretor-Adjunto do IBFI

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Problema da Falta de Valorização


Desde tenra idade tenho ao servido ao Senhor de forma muito dinâmica, sempre atuante na casa de Deus. Lembro que me tornei membro da Assembleia de Deus em seis de janeiro de 2002, quase dois meses depois que meu pai faleceu de forma trágica, vitimado por um atropelamento quando voltava do trabalho com a sua velha bicicleta. Tornar-me membro da Assembleia de Deus foi uma grande bênção do Senhor para mim naquela época, pois foi um período dificílimo da minha vida. Mesmo antes de fazer parte desta denominação, eu já me identificava muito com ela.

De lá para cá, eu pude exercer diversas atividades, tais como professor e superintendente de Escola Bíblica Dominical, fui organizador de uma conferência de EBD (Escola Bíblica Dominical) que teve duas edições, realizei trabalhos de ensino bíblico, evangelismo, escrevi algumas apostilas e assim por diante. Trabalhar assim no ambiente da Assembleia de Deus me fez amar ainda mais a denominação, envolver-me mais com pessoas que estiveram ao meu lado, mas me fez enxergar também os problemas que a cercam. O problema da falta de valorização alcançou-me quando eu estava plenamente envolvido na obra de Deus. Quando isso aconteceu comigo, meu coração foi invadido por uma tristeza justamente por isto: não ser valorizado como um talento local da igreja à qual pertenço – a Assembleia de Deus. Esse sentimento foi totalmente estranho para mim que, até então, nunca tinha sentido um “nó na garganta” tão forte assim. Mas isto foi bom por um lado: fui levado a uma profunda reflexão sobre se o que estou fazendo é realmente para Deus e se estou disposto a superar isto justamente por este fato – por que é para Ele acima de tudo! Com isso eu amadureci bastante, mas isso não significa que eu não tenha sido afetado de certa forma. Confesso que estou bastante decepcionado com o que está acontecendo na obra de Deus (não estou decepcionado “com a obra de Deus”). Quando passamos por um processo assim, parece que nossos olhos se abrem para enxergar realidades que até então ignorávamos. Acredito até que isso parte do próprio Deus que deseja que reconheçamos estas deficiências para que trabalhemos no sentido de corrigi-las.

Neste artigo expresso essa minha decepção com o problema da falta de valorização nas seguintes indagações que faço logo a seguir:

1)    Por que damos mais valor a pregadores e cantores e cantoras famosos que só vem em nossos templos se receberem dinheiro (e muito!) e não damos o devido valor aos “vasos de valor” que há em nossas próprias igrejas que, não raro, trabalham e se desgastam pela obra de Deus sem nada receber em troca?

2)    Por que preferimos investir vultosas quantias em eventos que realizamos em nossas igrejas que duram apenas alguns dias e não investimos, por exemplo, na EBD, um “evento” que dura todos os dias do ano por todos os anos trazendo incontáveis benefícios para a obra de Deus? Não tenho absolutamente nada contra congressos, conferências, simpósios, etc., mas sou terminantemente contra o fato de que gastamos grandes quantias nesses eventos, mas ignoramos outros setores importantes da Igreja como a EBD. Devemos investir em um setor, mas não ignorar outro igualmente (e talvez até mais) importante para a Igreja do Senhor como o é a EBD.

3)    Por que investir tanto dinheiro em ostentações desnecessárias como púlpitos caríssimos, fachadas altamente ornamentadas, templos suntuosos, etc., e não investir em pessoas, em seres humanos, ou naquele bom e velho linguajar igrejeiro: em “almas”? Por que não gastamos mais com a obra de ação-social? Com casas de recuperação para drogados? Eu sei que a Igreja está fazendo tudo isto, mas sei também que como Igreja do Senhor poderíamos sim fazer muito mais! É claro que quando uma igreja local cresce, ela haverá de precisar de uma boa estrutura física, com salas, gabinete, equipamentos de som, etc., mas não há como negar que muitas vezes gasta-se muito mais do que o que é realmente necessário!

Terminando aqui este artigo, convido você a orar junto comigo para que possamos influenciar na mudança da nossa querida denominação – a Assembleia de Deus – nesse sentido. Que nossos líderes e nós todos, de uma forma geral, possamos reconhecer os que trabalham entre nós! Esse foi o desejo de Paulo para a igreja de seus dias (1 Tessalonicenses 5.12). Que a falta de valorização não nos impeça de continuarmos ser abundantes na obra do Senhor (1 Coríntios 15.58), sabendo que no Senhor o nosso trabalho não é vão.

Meu objetivo neste artigo não é simplesmente polemizar – isso não leva a nada! Quero expressar minha decepção que também é a decepção de muitos outros irmãos que por falta de reconhecimento e apoio, encontram dificuldades para desenvolver projetos que beneficiarão o Reino de Deus! Que possamos dar valor aos nossos obreiros, jovens que se dedicam a obra de Deus e tantos outros que contribuem para o bom andamento da Igreja de Cristo. Espero sinceramente que, em especial, nossos líderes possam "abrir os olhos à esta realidade".
Deus abençoe a todos!

Em Cristo,
Roney Ricardo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Mensagem: Maravilhas da Bíblia Sagrada - Professor Roney Ricardo

É com alegria que apresento abaixo o vídeo contendo a nossa mensagem intitulada MARAVILHAS DA BÍBLIA SAGRADA, mensagem esta que foi pregada em 12 de agosto deste ano, 2012, na Assembleia de Deus de Retiro Saudoso, que é liderada pelo Pastor Everaldo Carvalho, onde falo sobre características singulares da Palavra de Deus, que a tornam o Livro dos livros. Foi muito especial para mim ter pregado esta mensagem nesta igreja, onde no começo deste ano realizamos o culto em ação de graças pela fundação do Instituto Bíblico Fundamentos Inabaláveis.
Minha gratidão ao irmão Thiago, que é aluno no núcleo que temos ali e que nos ajudou na filmagem! Minha gratidão ao   Pastor Everaldo, à turma que ali se reúne todas as segundas-feiras para juntos aprendermos a Palavra de Deus! Minha gratidão a toda àquela igreja!


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hermenêutica, a Ciência da Interpretação Bíblica - CONHEÇA

    Abaixo a primeira lição da nossa apostila de Hermenêutica Bíblica, de autoria do professor Roney Ricardo. É uma lição enriquecedora que poderá despertar o seu interesse para se aprofundar no assunto. Mas antes de irmos ao texto, confira os vídeos da Academia em Debate, programa apresentado pelo Reverendo Augustus Nicodemus, que o ajudarão a assimilar melhor o assunto.


INTRODUÇÃO
            Podemos dizer que de certa forma, a hermenêutica, como uma disciplina de interpretação de textos, está mais presente no nosso cotidiano bem mais do que tenhamos imaginado. Ao recebermos um e-mail, uma carta, um SMS por celular e é claro, em nossas leituras da Bíblia, seja nos nossos momentos devocionais ou nos momentos de culto, em nossos templos e assim por diante. Afinal de contas, a leitura de um determinado texto permite mais de uma interpretação? Se permite, isso se aplica à leitura da Bíblia? Pois bem, é a isso que nos propomos responder nesta obra.
1 – O QUE É A HERMENÊUTICA?
Definição
A hermenêutica pode ser tanto bíblica quanto secular. Ela não é apenas a arte ou a ciência da interpretação de qualquer texto; antes de tudo, é uma ciência que procura também o significado da palavra como evento histórico, social e de vida. Hermenêutica Bíblica é a disciplina da Teologia Exegética que ensina as regras para interpretar as Escrituras e a maneira de aplicá-las corretamente. É a ciência da compreensão de textos bíblicos. O termo “hermenêutica” procede do verbo grego “hermeneuein”, usualmente traduzido por “interpretar”, e do substantivo “hermeneia”, que significa “interpretação”. A Teologia Exegética se deriva dos dados da forma, estrutura e gramática e dos contextos históricos e literários dos livros da Bíblia.
            Afirma-se que a palavra “Hermenêutica” deriva-se do nome do deus grego “Hermes”, que na mitologia grega era o deus responsável por transmitir as mensagens dos deuses aos seres humanos e interpretá-las para eles. É interessante que a Bíblia faz uma referência sutil a esta crença. Em Atos dos Apóstolos narra-nos o médico amado Lucas que Paulo, quando da cura de um coxo em listra, os moradores desta cidade deram a Paulo o nome de Mercúrio, que é a forma romana do nome grego Hermes. Diz o evangelista: E as multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a voz, dizendo em língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens e desceram até nós. E chamavam Júpiter a Barnabé, e Mercúrio, a Paulo, porque este era o que falava” (At 14.11,12). Note a expressão “porque este era o que falava”, que é um indicativo da crença popular sobre o deus mitológico Hermes (aqui chamado de Mercúrio), onde ele era considerado o porta-voz dos deuses. Uma vez que Paulo certamente era mais eloquente na pregação, os habitantes de Listra, ao verem o milagre operado por Deus através de Paulo na vida do coxo, associaram isto à sua eloquência e passaram a chamar-lhe de Hermes.

2 – SITUANDO A HERMENÊUTICA NA TEOLOGIA
            Existem dois tipos principais de hermenêutica que o leitor ou a leitora deve ter ciência. Primeiro, temos a Hermenêutica Geral, que se aplica a qualquer obra escrita; usei este tipo de hermenêutica no comentário anterior quando citei exemplos como e-mail, cartas, SMS e assim por diante; em segundo lugar, temos a Hermenêutica Específica, ou Hermenêutica Especial, que se aplica a determinados tipos de produções literárias, em diversos campos ou ramos do conhecimento humano, como leis, história, filosofia, poesia, etc. No nosso caso, estamos situados aqui – no campo da Hermenêutica Especial – pois estaremos estudando a Hermenêutica Bíblica, também chamada de Hermenêutica Sacra ou Sagrada.
             A hermenêutica bíblica é fundamental para a Igreja de Cristo, como corpo, como um conjunto de pessoas e é também fundamental para o cristão e a cristã individualmente. Todos nós deveríamos nos preocupar muito em conhecer esta disciplina teológica tão vital em nossos dias, em nossos cultos e ministrações. Quantos pregadores e até ensinadores há que sequer a conhecem, nem mesmo pelo nome? A hermenêutica bíblica nos ajuda a entender o que o texto bíblico está nos dizendo, porque está dizendo e qual seu sentido conforme no-lo apresentado nas Sagradas Escrituras. Isto nos aproxima mais da intenção original do texto bíblico, quanto à sua mensagem.
            A hermenêutica não deve ser confundida com a Teologia Exegética. A hermenêutica é na verdade parte da Teologia Exegética. A Teologia em si está dividida em cinco principais partes ou ramos que trabalham em conjunto; são eles: a Teologia Exegética, a Teologia Histórica, a Teologia Bíblica, a Teologia Sistemática e a Teologia Prática. No gráfico a seguir, temos representada a Teologia com seus ramos e a posição da hermenêutica neste agrupamento:
            Conheçamos resumidamente cada um destes “pilares” da Teologia. É importante que você os assimile. A Teologia Exegética se ocupa dos métodos hermenêuticos a fim de poder descobrir o sentido real do texto bíblico. Em outras palavras, ela usa os recursos fornecidos pela própria hermenêutica para fazer esta descoberta. A Teologia Exegética utilizará para isto a filologia sacra, i.e., o estudo das línguas originais em que a Bíblia foi escrita: o Hebraico, o Aramaico e o Grego. Considera também a matéria chamada de Introdução Bíblica que fornece os primeiros conhecimentos sobre a Bíblia, preparando assim o estudante para iniciar no estudo teológico. Justamente por isso, esta matéria, Introdução Bíblica, que faz parte da Teologia Exegética, tem sido chamada de Isagoge Bíblica, pois o termo Isagoge vem do grego e significa justamente “conduzir para dentro”, “introduzir”, “introdução”.
            A Teologia Histórica irá lançar mão dos posicionamentos históricos teológicos, como o próprio nome da disciplina sugere – Histórica. Este lançar mão dos posicionamentos históricos teológicos inclui inclusive, uma abordagem sobre os afastamentos doutrinários promovidos por movimentos sectários, como o arianismo, o ebionismo, o eutiquianismo, etc. A Teologia Histórica lança mão da História da Igreja, História das Missões, História das Doutrinas, dos Credos e das Confissões.
            A Teologia Bíblica, como o próprio nome sugere, irá analisar a Bíblia em si mesma, i.e., considera a teologia exposta e desenvolvida nos livros bíblicos, desde o Gênesis até o Apocalipse. Desse modo, estuda-se a Teologia do Antigo Testamento e a Teologia do Novo Testamento.
            A Teologia Sistemática por sua vez consiste num conjunto de matérias ou disciplinas teológicas, que seguem um esquema seqüencial, lógico, ordenado, “sistemático”. Uma matéria complementa a outra num ciclo teológico de doutrinas bíblicas. Ela compreende o estudo da Pessoa do Pai (teontologia, teologia ou teologia própria), do Filho (cristologia), do Espírito Santo (pneumagiologia ou pneumatologia), a doutrina da salvação (soteriologia), a doutrina do homem (antropologia), a doutrina do pecado (hamartiologia), a doutrina das coisas futuras (escatologia) e assim por diante. É fundamental conhecer a teologia sistemática, pois ela ordena o conjunto de verdades teológicas reveladas na Palavra de Deus.
            Por fim, temos a Teologia Prática que procura por em prática aquilo que se obteve como resultado da análise e investigação teológica. É a teologia em prática. A teologia prática inclui disciplinas como homilética, que trata da preparação e exposição de sermões, organização e liderança, administração eclesiástica, liturgia dos cultos, a pedagogia cristã e etc.
            Para concluir, a hermenêutica está no campo da teologia exegética, que trata da compreensão das Sagradas Escrituras. É importante que você fixe isso em sua memória.

3 – A NECESSIDADE DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
           
            Passamos a apresentar algumas premissas que justificam a hermenêutica como uma necessidade para se compreender adequadamente a Palavra de Deus. Uma premissa é um “fato ou princípio que serve de base à conclusão de um raciocínio” (Aurélio).


Primeira Premissa: Deus se Revelou!
A primeira premissa básica que apresento aqui como necessidade para a interpretação bíblica é que Deus se revelou à humanidade e essa revelação, consequentemente, precisa ser compreendida, precisa ser interpretada. Deus se revela aos homens através das Sagradas Escrituras e Ele também se revelou em Cristo, “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3 – ARC). Cristo é a revelação máxima de Deus aos homens – Cristo é o ápice da revelação divina. Mas Cristo também está descrito nas Escrituras e, portanto, é necessário compreender as Escrituras para compreender Cristo, uma vez que Cristo e as Escrituras estão intimamente relacionadas. É o que Ele mesmo afirma e o evangelista João corrobora (cf. nessa ordem: Jo 5.39 e Jo 1.1,14). Sem a compreensão correta das verdades bíblicas jamais poderemos nos manter como Igreja de Cristo, pura, santa e aguardando o retorno do Noivo. Somente em Cristo é que podemos então compreender corretamente aquilo que Deus mostra-nos em Sua Palavra. Cristo é a chave principal da hermenêutica bíblica, pois a Bíblia toda se cumpre em Cristo. Ele mesmo declara isto: A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24.44). Quando dizemos que Deus se revelou estamos inevitavelmente afirmando que Deus deseja ser conhecido pelo homem, compreendido pelo homem, “interpretado” pelo homem! Isso, é claro, dentro do que DEle podemos conhecer, daquilo que a nós Ele comunicou sobre Si mesmo, afinal de contas, sabemos que o finito não pode conhecer o Infinito e que o limitado não pode compreender plenamente (plenamente) o Ilimitado e o mortal sondar “aquele que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém!” (1 Tm 6.16).
           
            Segunda Premissa: O Pecado
            O pecado afetou a humanidade em todos os sentidos. Até a própria natureza sofre por causa do pecado: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22). A própria criação aguarda a libertação do pecado, que só será realizada pelo Criador, o Senhor, na consumação de todas as coisas. O pecado, portanto, tem um efeito destrutivo sobre toda a criação. A humanidade é descrita algumas vezes nas escrituras como estando cega para entender a comunicação de Deus à ela. Expressões como “tempos da ignorância”, “trevas”, “obscurecidos de entendimento”, “coração insensato” e assim por diante (cf. At 17.30; Rm 1.21; Ef 4.18) evidenciam a dificuldade dos homens em compreender a revelação de Deus por causa da presença do pecado, embora isso não os torne isentos de responsabilidade diante de Deus! (leia Romanos 1).
É aqui que passamos a considerar a importância vital do Espírito Santo no trabalho de fazer hermenêutica bíblica. Uma vez que acabamos de entender que o pecado nos obscurece o entendimento das Sagradas Escrituras, o Espírito Santo no entanto, age como O Iluminador das Sagradas Escrituras para nós, abrindo-nos caminho na revelação divina contida na Bíblia. Isso é depreendido das palavras de Jesus em João 14.17: “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (ARC). Neste texto, como vemos, o Espírito Santo é chamado de Espírito da Verdade, isto por causa da sua ação no sentido de promover a verdade de Deus entre os homens, torná-la conhecida aos homens. Também lemos no versículo oito do mesmo capítulo: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. Este convencimento só pode vir mediante a compreensão da revelação de Deus aos homens. Desse modo, o hermeneuta deve sempre depender do Espírito Santo para compreender corretamente a Bíblia. É Ele que nos guia nesta jornada do conhecimento das verdades divinas, abrindo nosso entendimento para recebê-las. Desse modo, o hermeneuta deve ser também humilde e sincero e ter o coração aberto para compreender a Bíblia.

            Terceira Premissa: As Dificuldades Próprias da Bíblia
            Deve o estudante da Bíblia levar em consideração que a Bíblia foi escrita num tempo muito distante do nosso, por pessoas que viviam numa cultura muito diferente da nossa e em línguas também distintas da nossa. Estes fatores por si só constituem-se em grandes dificuldades para a compreensão correta da Bíblia. Elementos culturais que são encontrados em abundância no texto bíblico são para nós muitas vezes estranhos e se não os conhecermos adequadamente acabamos ficando impedidos de entender qual o real sentido de determinada passagem bíblica em que esses elementos culturais aparecem. Um exemplo disto temos em Mateus 18.23-35 na parábola contada por Jesus sobre o credor incompassivo. Quando descobrimos que dez mil talentos correspondem à uma soma de dinheiro incrivelmente superior à cem denários, entendemos que o que Jesus está ensinando na verdade é que Deus nos perdoou de maneira muito maior do que imaginamos e mesmo assim, muitas vezes, não perdoamos ao nosso irmão, numa falha incomparavelmente menor!
Na Bíblia encontramos referências a hábitos, lugares, ritos religiosos, partidos religiosos, moedas da época (ou porque não dizer “o dinheiro da época?”) e assim por diante. Encontramos na Bíblia uma estrutura literária também diferente da nossa e que precisa ser compreendida. A Bíblia é singular neste sentido. O que é uma metáfora? Um tipo? Uma parábola? Um hebraísmo? Enfim, são recursos próprios da literatura bíblica que precisam ser conhecidos pelo estudante da Bíblia. Aí está o papel da hermenêutica: fornecer os elementos necessários para a assimilação destes recursos literários.

Quarta Premissa: O Escritor e o Leitor no Contexto Bíblico
Nesta quarta e última premissa básica que apresentamos como justificativa para a necessidade da hermenêutica consideraremos o escritor bíblico e o leitor de seu tempo, i.e., o destinatário para quem os escritores bíblicos estavam direcionando seus escritos. Este é um fator importantíssimo para se compreender corretamente os textos sagrados. Embora saibamos que a Bíblia se aplica a qualquer povo e em qualquer época (ela é supra-cultural), quando entendemos o porquê de determinado escritor bíblico ter escrito o que escreveu e para quem está escrevendo e em que circunstâncias, passamos a compreender mais profundamente a mensagem daquele texto. Tome como exemplo os capítulos dois e três de Apocalipse, que contém as sete cartas do Senhor Jesus endereçadas às sete igrejas da Ásia. Cada carta, cada igreja e cada anjo de cada uma das sete igrejas estão enfrentando suas próprias dificuldades, seus dilemas, suas deficiências e eles tem também suas qualidades positivas e méritos e cada igreja está inserida em um contexto cultural e social específico. Tudo isso no tempo de João, o apóstolo. Ao conhecer estes elementos, o leitor da Bíblia passa a compreender porque João está dizendo o que está dizendo. A partir daí, ele logo perceberá o quanto o texto bíblico simplesmente faz todo o sentido de ser como é, de estar escrito como está!


III – DIFERENCIANDO HERMENÊUTICA E EXEGESE
            O termo “hermenêutica” deriva do verbo grego hermeneuein, usualmente traduzido por “interpretar”, e do substantivo hermeneia (ermeneia), que significa “interpretação”.
A palavra “exegese”, do grego eksegesis (exhghsiV) de eksegeomai (exhgeomai) significa “explicar, interpretar, contar, descrever, relatar”.
· Hermenêutica Bíblica: é a disciplina da teologia exegética que ensina as regras para interpretar as Escrituras e a maneira de aplicá-las corretamente. É a ciência da compreensão de textos bíblicos.
· Exegese: é a aplicação dos princípios hermenêuticos para chegar a um entendimento correto sobre o texto. É o estudo do sentido literal do texto. É a ciência da interpretação. É a extração dos pensamentos que assistiam ao escritor ao redigir determinado documento. Na exegese o exame do texto é feito para extrair entendimento e não incutir no texto o seu entendimento (eisegese).
· Hermenêutica Bíblica: Analisa o sentido que o texto tem hoje para nós.
· Exegese: Procura estudar o sentido que o autor quis atribuir ao texto sagrado.

IV – AS REGRAS DA HERMENÊUTICA
            A seguir, temos uma lista com as principais regras da hermenêutica bíblica alistadas pelo teólogo Valtencir Alves:

Regra Fundamental (Primeira Regra)
A Escritura explicada pela Escritura, ou seja: a Bíblia, sua própria intérprete.

Segunda Regra
É necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase.

Terceira Regra
É necessário tomar a frase no sentido indicado no contexto, a saber, os versículos que precedem e seguem ao texto que se estuda.

Quarta Regra
É preciso tomar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras.

Quinta Regra
É necessário consultar as passagens paralelas.

Quinta Regra – Segunda Parte
Paralelos de idéias
Para conseguir a idéia completa e exata do que ensina a Escritura neste ou naquele texto determinado, talvez obscuro ou discutível, consultam-se não só as palavras paralelas, mas os ensinos, as narrativas e fatos contidos em textos ou passagens aclaratórios que se relacionem com o dito texto obscuro ou discutível. Tais textos ou passagens chamam-se paralelos de idéias.

Quinta Regra – Terceira Parte
Paralelos de ensinos gerais
Para a aclaração e correta interpretação de determinadas passagens não são suficientes os paralelos de palavras e idéias; é preciso recorrer ao teor geral, ou seja, aos ensinos gerais das Escrituras – Blog Hermenêutica Bíblica – Link: http://doutorhermeneutica.blogspot.com.br/search/label/Regras - Acesso em 08/06/12.

CONCLUSÃO
            Você está iniciando o estudo da hermenêutica nesta apostila e por isso, sugiro que você já comece seu estudo desta ciência maravilhosa fazendo a pergunta que Filipe fez ao eunuco, mas fazê-la a si mesmo. Filipe perguntou ao eunuco: Entendes tu o que lês?” (At 8.30). Pergunte a você mesmo: “Eu entendo o que estou lendo?” Filipe mostra-nos hoje um dos princípios básicos para se estudar hermenêutica: entender o que estamos lendo. O objeto da nossa leitura é a Palavra de Deus e desse modo, estamos desejosos de entender a Bíblia, a mensagem de Deus para nós!