domingo, 1 de abril de 2012

A Família Cristã e a Pòs Modernidade

Estimado internauta e estimada internauta,
o artigo que você tem abaixo é, na verdade, uma lição de uma revista de Escola Bíblica Dominical que tive o prazer de escrever em co-autoria com o Presbítero Elias Mendonça, no quarto trimestre do ano de 2010.
É um assunto atual, sugestivo e que precisa ser considerado por nós.
Espero que ele seja edificante para sua vida!
Boa leitura para você!
Roney Ricardo
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
            Louvo a Deus pelo tema que abordaremos neste quarto trimestre de 2010, um assunto tão relevante e necessário à Igreja em nossos dias: A Família Cristã e a Pós-Modernidade. É importante considerar a família no contexto do nosso tempo, da nossa época, que é um período de profundas mudanças nos mais variados aspectos da humanidade: social, psicológico, econômico, político, religioso, filosófico, etc. A família acaba sendo diretamente atingida por esses fatores que promovem essa mudança que caracteriza a pós-modernidade. Mas, aqui vai uma pergunta ao amado leitor: será que todas essas mudanças são benéficas para a família? Vamos avançar no nosso estudo considerando essa questão.

I – CONCEITUANDO A FAMÍLIA E A PÓS-MODERNIDADE
            Em primeiro lugar, vamos iniciar conceituando o termo “família” para, a partir daí, entendermos o que é a família, qual a sua finalidade e necessidade.

1 – O que é “família?”
            A palavra “família” aparece na Bíblia várias vezes e com outros termos correlatos tais como “casa” (Gn 7.1), “filhos e mulheres” (Gn 30.26), “lar” (1 Pe 3.7) e ainda “os da casa” (Rm 16.10). No contexto bíblico, a palavra “família” é de significado um pouco mais amplo do que o que geralmente estamos acostumados a pensar: “um casal e filhos”. A palavra “família” na Bíblia indica um grupo de pessoas ligadas não apenas por laços esponsais e consangüíneos, mas até raciais, tribais, nacionais, etc. Ela também indica ascendência e descendência, como vemos em vários exemplos na Bíblia (cf. Gn 10.5,18,20,31,32). Porém, no contexto do nosso estudo, vamos analisar a “família que vive na mesma casa”, o núcleo familiar – que também aparece na Bíblia várias vezes. É claro que aqui podem estar incluídos também outros membros além dos pais e filhos, tais como os avós, filhos adotivos, etc.
            A família teve sua origem no primeiro casal, Adão e Eva, que foram criados por Deus e por Ele abençoados, como lemos em Gênesis 1.26-31 e 2.18-25. Analisando estes dois textos bíblicos, vemos que a família foi criada para ser um centro permanente de comunhão entre os seus membros, haja vista Deus criar a mulher para ser adjutora ou auxiliadora de Adão. Essas palavras, adjutora e auxiliadora, significam “aquela que ajuda”. Eva estaria lado a lado com Adão a fim de complementá-lo em todas as facetas do seu ser: espiritual, física, psicológica, afetiva, etc. Eva surge no momento de solidão de Adão, o que por si só já nos traz uma clara visão do que é a família: a resposta de Deus para o ser humano carente de relacionar-se! Isso pode ser depreendido do texto bíblico que diz: Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea” (Gn 2.20). Os animais estavam completados – cada macho com sua fêmea, com seu par – mas, para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. O nosso Deus, que tudo conhece, supriu a necessidade do homem preparando-lhe uma companheira que estivesse à sua altura! Glória a Deus!

2 – A família na Pós Modernidade
            Como já dito anteriormente, é importante que consideremos a família como estando inserida no contexto social que nos rodeia, afinal de contas, fazemos parte da sociedade e a própria Bíblia irá tratar de assuntos pertinentes à sociedade, tais como o pagamento de impostos (Mt 22.17-22), submissão às autoridades (Rm 13.1-7), entre outros temas sociais, tais como pobreza e riqueza, raças, etnias, funcionário e patrão (ou servo e senhor), etc.
            O tempo em que estamos vivendo tem características próprias que o diferencia de outras épocas passadas, tais como a Idade Média e a Modernidade. Esse tempo presente recebe o nome de Pós Modernidade (Pós = que vem depois), isto porquê sucede o período da Modernidade. É uma época difícil, de mudanças profundas no pensamento humano, quando cada vez mais a família vem deixando de ser uma referência. A iniqüidade campeia cada vez mais os lares, de modo que valores morais são, muitas vezes, tidos como desnecessários e conceitos obsoletos. O casamento torna-se cada vez mais instável e é grande o número de casais que se separam, mesmo dentro da Igreja do Senhor. A Igreja de Cristo, porém, precisa permanecer fiel a Deus mesmo em um tempo tão difícil como o nosso. Não devemos jamais nos assemelhar ao mundo em sua filosofia de vida e de pensamento – devemos remar contra a maré (Rm 12.1,2).  

II – A VIDA EM FAMÍLIA
            Mas afinal, como pode a vida em família ser afetada pelos males sociais de nosso tempo? A família é a base da sociedade, a célula máter, mas ela é diretamente influenciada pela sociedade na qual está inserida, e isso através dos relacionamentos, da educação que recebe nas escolas e universidades, dos meios de comunicação, especialmente através das mídias eletrônicas, enfim, de várias formas. Os membros da família são diretamente atingidos no seu dia-a-dia pelos valores que lhe são transmitidos pela sociedade à sua volta, e quando esses valores estão deturpados acabam por trazer grandes malefícios para a família. É aí que reside o grande perigo para a convivência familiar. É necessário que o lar cristão esteja mesmo “fechado” para muitas coisas que a sociedade pós-moderna entende como normal e natural. Vejamos:

1 – O que é a vida em família
            A vida em família é a comunhão, o relacionamento no dia-a-dia entre os membros de uma família. É fator de peso na vida social do indivíduo, desde o seu nascimento até a velhice, favorecendo-lhe em todas as áreas da sua vida, isto é, quando a família da qual ele faz parte é bem estruturada. A vida em família, é importante salientar isso, não está isenta de problemas os mais diversos, mas até mesmo os problemas, quando encarados de forma correta, podem contribuir para a vivência familiar. Dilemas familiares podem atingir a qualquer casa, mas é possível sim crescer através dos problemas.
           
2 – A necessidade e importância da vida em família
            Embora o conceito de família esteja hoje tão desvalorizado, o que significa dizer que a família em si está sendo desvalorizada, a Bíblia, contudo, revela o interesse de Deus pelas famílias. Paulo expressa este fato em Atos 16.31 quando diz ao carcereiro de Filipos: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. O querer de Deus é salvar toda a família! A Igreja primitiva não dispunha de enormes catedrais como nós hoje dispomos, mas ela dependia dos lares dos primeiros cristãos. É o que vemos em Romanos 16.5. A família é um presente de Deus para o ser humano e foi com esse presente (família) que Deus agraciou as parteiras hebréias no Egito, como lemos no nosso texto áureo.
            A importância da vida em família se vê no fato de que é justamente o ambiente familiar que influirá decisivamente na formação do ser humano desde o berço. Sem dúvida alguma, o caos social que presenciamos hoje tem a sua origem na desestruturação familiar, na desunião da família. Para uma sociedade estruturada, precisamos de famílias estruturadas! Para uma igreja sadia e vigorosa espiritualmente precisamos de famílias sadias e vigorosas espiritualmente.   

3 – Perigos para a vida em família
            Vários são os perigos para a vida em família no nosso tempo pós-moderno. A fim de evitá-los devemos conhecê-los e adotarmos medidas que possam curar o nosso lar desses males. É parte da cultura pós-moderna endeusar o homem, valorizando-o além do que está delimitado pela Bíblia. O homem é visto como um ser “à parte de Deus”, totalmente independente dEle, capaz de solucionar por si mesmo todos os dilemas que o cercam. Contudo, cada vez mais a humanidade sem Deus mergulha num caos sem fim. Na pós-modernidade, a estética é extremamente valorizada pela mídia televisiva, que chega a vulgarizar a imagem feminina, apresentando-a como mero objeto (sim, “objeto!”) de prazer sexual, ignorando a individualidade e personalidade de cada mulher. A sociedade pós-moderna também ignora valores éticos em questões fundamentais, como o valor à vida humana (milhões de abortos são realizados anualmente, no mundo todo), o relacionamento heterossexual, a submissão aos pais, a valorização da verdade, o respeito, etc. Embora muitas vezes a mídia levante essas questões apresentado-as como importantes, ela acaba contradizendo-se quando exibe programas excessivamente imorais, perniciosos, que simplesmente banalizam essas questões éticas. E o que dizer do hedonismo, a busca desenfreada pelo prazer em detrimento de qualquer limite? Essa busca pelo hedonismo tem levado a nossa juventude ao sexo sem compromisso e com isso estamos presenciando, como nunca antes, uma onda de prostituição entre nossos jovens. Paulo descreve com clareza meridiana os tempos em que vivemos: Sabe, porém, isto, nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.1-5).
            Todos esses males que citamos neste tópico são extremamente prejudiciais à família, podendo levá-la à desintegração. E de fato, é o que estamos presenciando em nosso tempo. A família cristã deve estar atenta para não se deixar levar por essa onda de pecaminosidade que varre o mundo.  

4 – Remando contra a maré
            A família que serve a Deus deve remar contra a maré da pós-modernidade. Vivemos dias muito agitados, quando não “se tem tempo para nada”, quando o marido e a esposa trabalham pelo sustento do lar enfrentando um dia-a-dia agitado, apressado, cansativo – de fato, estressante! Com isso, acabamos perdendo o convívio familiar, pouco a pouco, e talvez não estejamos percebendo isso. É importante que procuremos cultivar a convivência familiar. Devemos valorizar o diálogo entre esposo e esposa, pais e filhos, enfim, entre todos os membros da família. Enquanto nossa sociedade se torna cada vez mais individualista e egocêntrica, devemos nós, como um referencial de Deus sobre a terra, procurar cada vez mais a comunhão uns com os outros, principalmente no lar: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.2-4).

III – A VONTADE DE DEUS PARA A VIVÊNCIA FAMILIAR
            É na Bíblia Sagrada que encontramos a vontade de Deus para a vida em família. Em Gálatas 5.19-21 Paulo apresenta uma lista de pecados – as obras da carne - acrescida da expressão e coisas semelhantes a estas”, indicando haver outros pecados semelhantes, onde assevera que “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”. Esses pecados são de ordem espiritual, física, psicológica, moral e ética. São extremamente nocivos ao crente em Jesus e, quando trazidos para dentro do lar, podem causar a destruição do mesmo. A Bíblia contudo, nos apresenta o “antídoto”: “andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.16). As obras da carne são verdadeiros inimigos do lar, e isto digo por uma razão fundamental: quando analisamos os pecados citados por Paulo nesta lista, logo percebemos que vários deles atingem não apenas a pessoa que os está praticando, mas também outros à sua volta. Por exemplo, a prostituição, que é um pecado sexual que acontece entre pessoas sem o vínculo do matrimônio, e também os pecados de feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas (vv. 20,21), são pecados praticados contra o próximo. Imagine agora esses tipos de pecados dentro de um lar? É pertinente aqui a afirmação do Supremo Mestre Jesus: “se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir” (Mc 3.25). Por isso, esses “inimigos do lar” devem ser postos para fora, eles não devem jamais fazer parte da vida familiar!
            A vida no lar requer compreensão e harmonia entre pais e filhos, como Paulo ensina em Efésios 6.1-4. O diálogo, hoje tão substituído pela TV e pelo computador, não deve jamais ser relegado – ele é uma arma poderosa na convivência familiar. A vida em família é algo maravilhoso quando acontece da forma correta, ou seja, conforme a vontade de Deus. A Bíblia trata deste assunto mais do que talvez possamos imaginar. Em Efésios 5.22-33 a Bíblia nos ensina como deve ser o relacionamento entre marido e mulher. Se perseverarmos em seguir os preceitos bíblicos, aplicando-os de forma prática em nosso lar, seremos felizes.

CONCLUSÃO
            O lar cristão deve ser uma extensão do reino de Deus na terra. Embora a pós-modernidade traga uma verdadeira “avalanche” de perigos à família cristã, deve esta permanecer firme em Deus, apegando-se aos preceitos bíblicos para a vivência familiar, tão importante e necessária a nós. Que assim como Josué, possamos dizer: Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

ENRIQUEÇA O SEU VOCABULÁRIO
Ø  Endeusamento – ato de endeusar; incluir entre os deuses ou classificar como Deus.
Ø  Esponsal – que se refere a esposos; Contrato ou promessa recíproca de casamento; noivado.
Ø  Eximir – isentar, dispensar, desobrigar.
Ø  Hedonismo – Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral.     
Ø  Lograr – gozar; obter; fruir, desfrutar, desfruir.
Ø  Peculiar – que é atributo particular ou especial de uma pessoa ou coisa; especial, próprio.
Ø  Pernicioso – perigoso; nocivo; mau.
Ø  Preceder – vir antes de.

EXERCÍCIOS
1)      Defina a palavra “família” a partir do ponto de vista bíblico:
R: A palavra “família” na Bíblia indica um grupo de pessoas ligadas não apenas por laços esponsais e consangüíneos, mas até raciais, tribais, nacionais, etc. Ela também indica ascendência e descendência, como vemos em vários exemplos na Bíblia. Refere-se também à “família que vive na mesma casa”.
2)      Cite outras palavras e expressões que a Bíblia usa para se referir à família:
R: casa, “filhos e mulheres”, lar e ainda “os da casa”.
3)      O que é a vida em família?
R: A vida em família é a comunhão, o relacionamento no dia-a-dia entre os membros de uma família.
4)      Qual a importância da vida em família?
R: A vida em família é fator decisivo na formação do indivíduo desde o seu nascimento até a velhice, beneficiando-o em todas as áreas da sua vida.
5)      Como deve ser a convivência familiar, conforme a vontade de Deus?
R: Deve ser de harmonia, comunhão entre marido e mulher, entre pais e filhos. Os inimigos do lar (a lista de Gálatas 5.19-21) devem ser postos para fora do lar.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO
            Tempo para a convivência.
            "O homem do século 21 é extremamente ativista. Sua vida está mergulhada num sem-número de compromissos. Seu dia a dia é um corre-corre sem fim. Sua fala mais comum é: “não tenho tempo para nada”. Seu tempo, de fato, torna-se curto diante de tantos afazeres. Essa “falta de tempo” acaba por prejudicar o relacionamento familiar. Até porque essa “falta de tempo” tem também afetado todos os membros da família. O corre-corre, às vezes, não fica circunscrito ao homem, mas, estende-se hoje em dia à esposa e filhos. As muitas ocupações da família não estão permitindo que os seus membros tenham tempo disponível para estarem juntos no lazer ou em outras atividades [...]. Alguém disse que “tempo é questão de preferência”. Ou seja, se uma pessoa prefere alguma coisa, arranjará o tempo necessário. Se isto é verdade (nós cremos que seja), precisamos reavaliar nossas preferências diante de nossas constantes desculpas afirmando que não temos tempo. Passemos à reflexão, na convicção de que “há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1) [...]
            É importante investir tempo na convivência familiar. Esse tempo para a convivência auxilia na qualidade de vida da família. Tempo para a convivência é sinônimo de estar junto. É sinônimo de aproximação. É sinônimo de intimidade. Tudo isso acaba produzindo melhor qualidade de vida na família. Se por um lado o tempo de convivência ajuda a produzir qualidade de vida, por outro, a inexistência desse tempo prejudica a qualidade de vida da família. É realidade conhecida fartamente que, quanto maior tempo para a convivência em família, mais tranqüilidade diante das circunstâncias adversas que permeiam a família. Mais tempo para a convivência é igual a maior capacidade para enfrentamento dos problemas. É tempo com a família. Isto não é gastar tempo, mas investir tempo na convivência familiar. É fato notório que nós precisamos uns dos outros, alertam as Escrituras (Ec 4.9-12)”.
Revista Didaquê – Família Vitoriosa em Tempo de Crises – Série FAMÍLIA – vol. 6 – 1ª Ed.: Outubro de 2008, pp. 7,8.

Em Cristo,
Roney Ricardo

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