terça-feira, 26 de junho de 2012

Artigo: Pregador (ou Pregadora), Importa Que Ele Cresça e Você Diminua!



     Estimado(a) leitor(a), estamos vivendo em um tempo em que as denominações acabam se assemelhando à empresas que disputam entre si os consumidores e que nessa disputa, acabam usando de todo tipo de subterfúgio para atraí-los a comprar. Denominações há que também agem assim, como se fossem verdadeiras “empresas da religião”, usando chavões como “venha para cá”, “a mão de Deus está aqui” e outros que dão a impressão ao ouvinte de que somente aquela denominação é a verdadeira ou de que somente nela Deus está operando, propagando essa idéia egocêntrica no afã de atrair novos fiéis. Mas é um grande equívoco pensar que somente na “denominação tal” Deus está agindo, a começar pelo fato de que Deus não está limitado a denominações, embora elas sejam instrumentos que Ele mesmo usa na expansão de Seu Reino na Terra. Desde que a denominação seja genuinamente bíblica e cristocêntrica (o que não significa necessariamente ser isenta de erros!), esta denominação é boa e contribui para  a expansão da Obra de Deus.
     Este comportamento “marqueteiro” de muitas denominações (inclusive a minha!) tem contribuído, infelizmente, para atitudes impróprias no culto cristão, como aquilo que eu chamaria de “estrelismo evangélico”, onde determinado(a) pregador(a) ou determinado(a) cantor(a) é a figura central. Pessoas afluem aos milhares a determinados eventos não porquê Jesus estará presente, para porque “fulano tal” estará pregando ou cantando. Isso tem produzido uma comunidade evangélica interesseira e sem profundidade espiritual. Fica evidente que o movimento evangélico no Brasil tem produzido homens e mulheres que se destacam na pregação e no louvor e eu particularmente não tenho nada contra uma igreja organizar um evento e convidar uma pessoa assim para participar, mas é preciso que façamos uma reflexão sobre quem está recaindo nosso foco. É aqui que deve o pregador ou a pregadora sobre o seu papel no reino de Deus e não se deixar levar por essa onda de busca por fama e estrelismo na casa de Deus. Importa que Jesus cresça nos corações e nós diminuamos. Você está disposto a aceitar isso em seu ministério?
            A atitude de João Batista é um exemplo sóbrio para os nossos dias. Diz a Bíblia que Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação. E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro” (Jo 3.25,26). A resposta que João Batista dá para esta questão evidencia o sentimento de um homem que não pretendia jamais disputar com Jesus, mas contribuir para que o Mestre fosse engradecido perante os homens: “Convém que ele cresça e que eu diminua(Jo 3.30b). Sua atitude como portador do evangelho de Cristo tem sido a de glorificar ao Cristo da cruz ou buscar glória para si mesmo. Importa que Ele cresça e nós diminuamos! Há momentos em que precisamos fazer uma autocrítica de nosso ministério, de nossa vida de comunhão com Deus. Pense nisso! Você foi chamado para glorificar a Deus.


NOTA: Este artigo é na verdade um trecho da apostila de Homilética do IBFI, de autoria do irmão Roney Ricardo, que compõe a grade do curso básico.

Capa da Nossa Nova Matéria: Homilética, É Necessário Que o Evangelho Seja Pregado


domingo, 17 de junho de 2012

O Teólogo e o Simpatizante de Teologia - Por Alex Belmonte

O Teólogo e o Simpatizante da Teologia

“Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Martinho Lutero

Cresce cada vez mais no meio evangélico principalmente pentecostal o número de homens que se auto-intitulam “teólogos”. O mais curioso é que na maioria dos casos isso parte daqueles que aparentemente nada têm haver com a teologia. Quando aqui me refiro “aparentemente” faço pela ótica do sentido comportamental que envolve palavras, citações, opiniões a temas bíblicos e principalmente o contato com as Escrituras.
Outro dado curioso é o fato de ser a grande massa formada por pregadores “avivalistas”, o que mais uma vez contraria o sentido do termo em questão. Não que os teólogos não sejam avivalistas, mas simplesmente pelo fato de não serem apenas avivalistas, mas sim verdadeiros evangelistas, discipuladores e educadores na Palavra.
Mas não é difícil identificar um autêntico teólogo comparando-o com esses que passo a chamar aqui de “Simpatizantes da Teologia”. A diferença se faz nas seguintes observações:
O simpatizante da teologia estuda teologia aleatoriamente e sem a sua sistematização, criando assim em sua vida uma esfera fatídica de um conhecimento sem sustentação e coerência doutrinária;
O Teólogo respira e vive a teologia. É cuidadoso para com seu investimento acadêmico e cultural. Tem uma direção certa em suas conclusões teológicas, formando assim um embasamento concreto para com os princípios bíblicos;
O simpatizante da teologia é um defensor de suas teses e de suas ideias bíblicas. Em suas pregações cria uma interpretação tão distante da Verdade que, até mesmo a mais simples conjectura derrama nas mentes dos incautos uma avalanche de contradições bíblicas, perceptível apenas aos que estudam a Bíblia com seriedade;
O Teólogo é um defensor da fé, da Verdade e da pureza bíblica. Prega a Palavra sem modismo, sem crendices, sem esses desvios de propósitos do texto. Sua interpretação respeita os princípios da hermenêutica, principalmente os da gramática, como bem lembrou Philipp Melanchthon, sucessor de Lutero ao dizer que “a interpretação gramatical respeita integralmente a inspiração verbal das Escrituras”, ou seja, até o cuidado que o teólogo tem com a interpretação bíblica preserva doutrinas e produz uma límpida exegese capaz de impactar vidas com o poder da Palavra de Deus;
O simpatizante da teologia investe em DVDs de “grandes” pregadores. Possui uma vasta coleção de bons DVDs dos mais diversos pregadores. As pregações são para ele como pequenas aulas para “conhecimento” bíblico;
O Teólogo, por sua vez, investe nos livros dos grandes Escritores. É pela leitura que ele entende adquirir o conhecimento que o levará ás experiências no dia a dia. Essas experiências nos levam a sabedoria que na melhor das manifestações vem unicamente de Deus. O Senhor separou homens valorosos para comentar, esboçar, compartilhar, aconselhar e educar por meio dos livros, nossos ilustres mestres literários. O gosto pela leitura leva ao amor pela meditação nas Escrituras. Não se alcança conhecimento ouvindo pregações. Nossas pregações são apenas para edificação espiritual e maturidade cristã com capacidade para levar pessoas á leitura da Palavra, é claro que para isso, depende também de uma boa pregação;
Poderia aqui trazer inúmeras diferenças entre o simpatizante da teologia e o Teólogo, tais como as questões da ética e dos valores, da verdadeira espiritualidade, da jornada adquirida com o tempo, da formação teológica, e principalmente de trechos de mensagens com frases comprometedoras. Mas o presente artigo é apenas uma forma de dizer o quanto podemos fazer o melhor para Deus, sendo canais de bênçãos na vida das pessoas.
Mas não poderia deixar de concluir dizendo que:
O simpatizante da teologia, principalmente o que é pregador, sempre entrará em conflitos por causa de seu limite real nas Escrituras. Chegará o dia em que deverá se esconder por trás de uma espiritualidade artificial, pois o Espírito Santo não atua em “espetáculos” cujo artista principal é o próprio homem e seu EGO devastador.
O Teólogo por sua vez trilha numa direção que o levará para dois caminhos: Se ele como teólogo está profundamente afundado em letras sem a Unção do Espírito (isso também é possível), deverá encontrar nas próprias Letras, por serem sagradas, o despertar para uma vida de experiências relevantes para com o Espírito da Palavra. O próprio Deus na sua incomparável misericórdia encontrará um espaço para atuar nesse extremo “zeloso” das Escrituras, levando-o á mergulhar nas águas do Eterno. Agora, se ele como teólogo vive em uma atmosfera de graça e conhecimento, na mais bela vivência de intimidade com o Espírito Santo, com certeza será ainda mais um instrumento de Deus para impactar vidas, levando-as á salvação pelo único sacrifício perfeito já existente – o da cruz de Cristo e da Redenção. Os tais como Teólogos jamais perderão a grande missão e o verdadeiro chamado para com a Obra de Deus.

Alex Belmonte - Teólogo

Postado em nosso blog com a devida autorização do autor.

Blog Fundamentos Inabaláveis também é...

Louvor e Adoração!
Marcelo Santos da antes chamada Patmos Music (Agora, CPAD Music).
O Segredo, é que Jesus está no controle!!!

domingo, 10 de junho de 2012

Informação Importante

Caro leitor e cara leitora do Blog Fundamentos Inabaláveis,
por motivos de ordem estrutural não estamos postando novos vídeos com míni vídeo-aulas, como havíamos prometido. É que nossa casa, local onde foi feito o vídeo anterior, está passando por reformas que devem perdurar ainda por uma semana.
Mas assim que tudo estiver concluído, voltaremos a gravar e a postar novamente nossas vídeo-aulas.
Grato pela compreensão!

terça-feira, 5 de junho de 2012

ARTIGO: HERMENÊUTICA, A ARTE DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Este artigo é parte da nossa próxima apostila do 
curso básico de teologia: Hermenêutica. 

AS DIFICULDADES BÍBLICAS
            A Bíblia é um livro escrito dentro de limites culturais, épicos e circunstanciais e por isso mesmo é que existem muitas dificuldades na leitura e interpretação do texto bíblico. A Bíblia foi escrita por homens que viveram em contextos sociais e culturais bem distantes e distintos do nosso, daí ser perfeitamente natural que o leitor contemporâneo da Bíblia encontre dificuldades na interpretação da mensagem bíblica. É fundamental que o hermeneuta tenha em mente que as dificuldades são sempre do lado humano, não do lado divino. Muitas vezes, na leitura da Bíblia, deparamo-nos com textos aparentemente discrepantes, incoerentes e algumas vezes, até espantosos. Mas quando se faz uma análise mais profunda, mais pormenorizada, logo se constata que a Bíblia não contém erros de espécie alguma. Ela é perfeita e ... é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). Há uma frase marcante do já muito conhecido teólogo africano, Agostinho, sobre a questão da inerrância bíblica que devemos considerar aqui: “Se ficamos perplexos diante de qualquer aparente contradição nas Escrituras, não é permitido dizer ‘o autor deste livro está errado’; mas sim o manuscrito pode ser falho, a tradução pode estar errada ou nós não entendemos”.
            Passamos a listar algumas orientações importantes que o leitor da Bíblia deve sempre considerar em seu trabalho de interpretação das Escrituras. São princípios fundamentais que muitos que criticam a Bíblia simplesmente ignoram ou desconhecem totalmente, por isso acusam a Bíblia de conter erros quando na verdade são eles mesmos que estão errados em suas próprias acusações contra a Palavra de Deus.
           
Vejamos então:

1)    Ao ler e estudar determinado texto das Escrituras, considere sempre o contexto. A Lei do Contexto é fundamental e é uma das leis de interpretação bíblica mais aceita universalmente entre os estudiosos da Bíblia. O contexto é aquilo que vem antes e depois do texto que se está analisando. Pode estar num versículo, no mesmo capítulo, no mesmo livro ou até em outro livro. O grande erro da maioria das seitas ocorre justamente aqui: ignoram o contexto de determinados textos bíblicos e os usam totalmente desconexos de seus contextos, gerando assim ensinos contraditórios e até absurdos! Tudo por ignorar o contexto bíblico.

2)    Ao se deparar com textos aparentemente discrepantes, não pense logo que é erro, mas antes, faça uma análise mais profunda do assunto. Cuidado com os preconceitos (i.e., pré-conceitos) na leitura da Bíblia.

3)    Ao ler e estudar a Bíblia faça sempre de coração aberto, permitindo que o texto fale por si mesmo e não o contrário, que você fale pelo texto, forçando assim uma interpretação incoerente com o que está no texto bíblico.

4)    Ao ler e estudar a Bíblia nunca pense que você encontrará todas as explicações que possa almejar. O hermeneuta bíblico deve entender e aceitar que há coisas na Bíblia que embora citadas não foram plenamente explicadas. Exemplo? A origem do mal. A Bíblia não nos revela como foi que o mal teve origem. Este é um grande mistério que só Deus sabe. Sejamos humildes aqui e não pensemos que por isso a Bíblia esteja errada. Lembremo-nos de Deuteronômio 29.29: As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

5)    Ao interpretar passagens bíblicas de difícil interpretação, faça sempre à luz das que são mais fáceis. A Bíblia oferece a nós doutrinas que estão acima da nossa razão, embora nem por isso sejam elas irracionais! Na Bíblia encontramos assuntos que são por demais complicados e que precisam ser corretamente estudados e analisados. Podemos citar como exemplo a doutrina da Trindade. Como entender plenamente que Deus é trino e único ao mesmo tempo? É realmente algo que está além da nossa compreensão limitada. Por isso é fundamental que o hermeneuta bíblico esteja sempre atendo às passagens mais claras da Bíblia sobre o assunto a fim de melhor compreendê-lo.

6)    Nunca baseia um ensino numa passagem obscura e de difícil interpretação da Bíblia. Isto pode dar espaço a ensinos errôneos a respeito das Escrituras.

EXEMPLOS DE DIFICULDADES BÍBLICAS
Passaremos a considerar agora alguns exemplos de dificuldades bíblicas para ilustrar o assunto que estamos abordando. Por exemplo, lemos assim em Romanos 12.20: “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça”. Afinal de contas, as brasas são amontoadas sobre a cabeça de quem? Daquele que retribui beneficamente ao inimigo ou é sobre a cabeça do inimigo mesmo? É uma dificuldade que acontece no campo da tradução bíblica. RESPOSTA PARA ESTA QUESTÃO: Para entendermos o que é de fato que o apóstolo Paulo está dizendo, basta substituirmos a versão que estamos usando (ARA) por outra que traduz mais claramente o texto. A Bíblia de Jerusalém traduziu este versículo de forma mais clara: “Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo desta forma estarás acumulando brasas sobre a cabeça dele (grifo meu). Como podemos ver, fica agora bem mais claro que as brasas são acumuladas sobre a cabeça do inimigo.
Veremos agora uma aparente contradição bíblica: Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos quatro livros do evangelho como uma evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Mateus diz, por exemplo, que havia um anjo no túmulo de Jesus, enquanto João menciona a presença de dois anjos. Não seria isso uma contradição que derrubaria a credibilidade desses relatos? Não, mas exatamente o oposto é verdadeiro: detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. De que modo? Em primeiro lugar, vamos destacar que os relatos do anjo não são contraditórios. Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais locais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes raramente vêem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (i.e., Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (i.e., quantos anjos havia no túmulo). De fato, quando um juiz ouve duas testemunhas que dão testemunho idêntico, palavra por palavra, o que corretamente presume? Conclui – as testemunhas encontraram-se antecipadamente para que suas versões do fato concordassem.Desse modo, é perfeitamente racional que Mateus e João difiram – os dois estão registrando o depoimento de testemunhas oculares. Talvez Mateus tenha mencionado apenas o anjo que falou (Mt 28.5), enquanto João descreve quantos anjos Maria viu (Jo 20.12). Ou talvez um dos anjos se tenha destacado mais do que o outro. Não sabemos com certeza. Sabemos simplesmente que tais diferenças são comuns entre testemunhas oculares.

Em Cristo,
Roney Ricardo