segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Problema da Falta de Valorização


Desde tenra idade tenho ao servido ao Senhor de forma muito dinâmica, sempre atuante na casa de Deus. Lembro que me tornei membro da Assembleia de Deus em seis de janeiro de 2002, quase dois meses depois que meu pai faleceu de forma trágica, vitimado por um atropelamento quando voltava do trabalho com a sua velha bicicleta. Tornar-me membro da Assembleia de Deus foi uma grande bênção do Senhor para mim naquela época, pois foi um período dificílimo da minha vida. Mesmo antes de fazer parte desta denominação, eu já me identificava muito com ela.

De lá para cá, eu pude exercer diversas atividades, tais como professor e superintendente de Escola Bíblica Dominical, fui organizador de uma conferência de EBD (Escola Bíblica Dominical) que teve duas edições, realizei trabalhos de ensino bíblico, evangelismo, escrevi algumas apostilas e assim por diante. Trabalhar assim no ambiente da Assembleia de Deus me fez amar ainda mais a denominação, envolver-me mais com pessoas que estiveram ao meu lado, mas me fez enxergar também os problemas que a cercam. O problema da falta de valorização alcançou-me quando eu estava plenamente envolvido na obra de Deus. Quando isso aconteceu comigo, meu coração foi invadido por uma tristeza justamente por isto: não ser valorizado como um talento local da igreja à qual pertenço – a Assembleia de Deus. Esse sentimento foi totalmente estranho para mim que, até então, nunca tinha sentido um “nó na garganta” tão forte assim. Mas isto foi bom por um lado: fui levado a uma profunda reflexão sobre se o que estou fazendo é realmente para Deus e se estou disposto a superar isto justamente por este fato – por que é para Ele acima de tudo! Com isso eu amadureci bastante, mas isso não significa que eu não tenha sido afetado de certa forma. Confesso que estou bastante decepcionado com o que está acontecendo na obra de Deus (não estou decepcionado “com a obra de Deus”). Quando passamos por um processo assim, parece que nossos olhos se abrem para enxergar realidades que até então ignorávamos. Acredito até que isso parte do próprio Deus que deseja que reconheçamos estas deficiências para que trabalhemos no sentido de corrigi-las.

Neste artigo expresso essa minha decepção com o problema da falta de valorização nas seguintes indagações que faço logo a seguir:

1)    Por que damos mais valor a pregadores e cantores e cantoras famosos que só vem em nossos templos se receberem dinheiro (e muito!) e não damos o devido valor aos “vasos de valor” que há em nossas próprias igrejas que, não raro, trabalham e se desgastam pela obra de Deus sem nada receber em troca?

2)    Por que preferimos investir vultosas quantias em eventos que realizamos em nossas igrejas que duram apenas alguns dias e não investimos, por exemplo, na EBD, um “evento” que dura todos os dias do ano por todos os anos trazendo incontáveis benefícios para a obra de Deus? Não tenho absolutamente nada contra congressos, conferências, simpósios, etc., mas sou terminantemente contra o fato de que gastamos grandes quantias nesses eventos, mas ignoramos outros setores importantes da Igreja como a EBD. Devemos investir em um setor, mas não ignorar outro igualmente (e talvez até mais) importante para a Igreja do Senhor como o é a EBD.

3)    Por que investir tanto dinheiro em ostentações desnecessárias como púlpitos caríssimos, fachadas altamente ornamentadas, templos suntuosos, etc., e não investir em pessoas, em seres humanos, ou naquele bom e velho linguajar igrejeiro: em “almas”? Por que não gastamos mais com a obra de ação-social? Com casas de recuperação para drogados? Eu sei que a Igreja está fazendo tudo isto, mas sei também que como Igreja do Senhor poderíamos sim fazer muito mais! É claro que quando uma igreja local cresce, ela haverá de precisar de uma boa estrutura física, com salas, gabinete, equipamentos de som, etc., mas não há como negar que muitas vezes gasta-se muito mais do que o que é realmente necessário!

Terminando aqui este artigo, convido você a orar junto comigo para que possamos influenciar na mudança da nossa querida denominação – a Assembleia de Deus – nesse sentido. Que nossos líderes e nós todos, de uma forma geral, possamos reconhecer os que trabalham entre nós! Esse foi o desejo de Paulo para a igreja de seus dias (1 Tessalonicenses 5.12). Que a falta de valorização não nos impeça de continuarmos ser abundantes na obra do Senhor (1 Coríntios 15.58), sabendo que no Senhor o nosso trabalho não é vão.

Meu objetivo neste artigo não é simplesmente polemizar – isso não leva a nada! Quero expressar minha decepção que também é a decepção de muitos outros irmãos que por falta de reconhecimento e apoio, encontram dificuldades para desenvolver projetos que beneficiarão o Reino de Deus! Que possamos dar valor aos nossos obreiros, jovens que se dedicam a obra de Deus e tantos outros que contribuem para o bom andamento da Igreja de Cristo. Espero sinceramente que, em especial, nossos líderes possam "abrir os olhos à esta realidade".
Deus abençoe a todos!

Em Cristo,
Roney Ricardo.

4 comentários:

  1. Boa tarde Roney,

    a sua análise deste problema realmente é interessante. Também estive presente na igreja desde muito criança, embora minha real conversão veio apenas na fase adulta, e o que vi durante todos os anos foi exatamente o que você colocou.

    Há dois problemas latentes nesse tema abordado: o primeiro é que os servos, que já estão na igreja em algum momento, mais cedo ou mais tarde, passarão pelo que você passou, se sentindo até mesmo frustrados com a falta de valorização, e isso vem da má gestão dos líderes (pois além de serem pastores, precisam ser gestores, assim como Jetro instruiu a Moisés). O segundo problema, e considero eu ser de ordem ainda mais crítica, é que as pessoas novas na igreja também são afetadas por este sentimento, pois percebem tanto o empenho quanto a decepção daqueles que passam por este problema.

    É válido dizer que como cristãos devemos evitar este sentimento (assim como você o fez), afinal o que fazemos é para o Senhor, e não para homens. Entretanto, somos também humanos, e como tal, somos um compêndio repleto de emoções e psicologias, e mais cedo ou mais tarde passaremos por alguma situação como essa.

    Parabéns pelo blog.

    Acesse o meu blog
    http://5paeseospeixes.blogspot.com/
    É novo, mas com grandes projetos.

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  2. Paz do Senhor nobre Rodrigo. Fiquei realmente muito feliz pelo seu comentário ao meu artigo. Por dois motivos: Primeiro, porque percebi que não estou só nesta compreensão dos fatos, em nossas igrejas hoje (rsrsrsrs - graças a Deus por isso!); Segundo, porque percebi que você compreendeu bem o que eu quis dizer e demonstrou maturidade cristã diante deste problema em seu comentário. Deus o abençoe ricamente em Cristo. Já adicionei seu blog aos meus favoritos. Ajudemo-nos mutuamente a divulgá-los. Abçs. Roney Ricardo

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  3. Paz do.SENHOR irmão, concordo com.o irmão plenamente, eu tenho passado por esta situação, sou professora da ebd há mais ou menos 18 anos, passando por varias classes da ebd, ha um.tempo atraz eu percebi uma carencia muito grande na classe infantil, e conversei com.o meu pastor que nós poderiamos investir um puco mais nas crianças, na hora ele concordou, mas quando eu falei com.ele que tinhamos que investir em lanches, cadieras novas para as crianças ficarem confortaveis, e para fazermos um.trabalho para buscarmos as crianças que os pais nao eram.evangelicos e que para isso teriamos que investir um.pouco mais ele nao aceitou, eu sou superintendente da ebd mas nao posso fazer nada , por isso estoy pensando em desistir, eu pedi a ele para entao investirmos no.lanche das crianças, parece ate piada o que vou falar , ele disse que o que a igreja poderia investir era só 20 reais, me ajude em oração, nao sei mais o que fazer, o que eu posso estou fazendo, mas !

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    1. Irmã Eliana, paz do Senhor. Lamento pelo que a irmã está passando e lamento que o pastor não tenha apoiado esse projeto maravilhoso. Mas se lembre de que Robert Raikes ao iniciar o grande projeto da EBD também enfrentou resistência justamente por parte daqueles que deveriam tê-lo ajudado: os líderes eclesiásticos de seu tempo. Nosso trabalho é para Deus, acima de tudo, e em favor do próximo. Continue seu trabalho! Pense nas crianças que você atende e não desista de insistir com a liderança da igreja no sentido de que mudanças sejam implantadas. Evite a contenda, mas insista no diálogo. Que o Senhor possa fortalecê-la nessa missão tão nobre! Lembre-se que nosso ministério, muitas vezes, é como uma semente lançada ao solo - não a vemos germinando, e as vezes sequer sabemos se ela está de fato brotando, mas ela pode explodir numa frondosa árvore a cobrir muitas pessoas com sua maravilhosa sombra!

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