quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

PORQUE TENHO AVERSÃO À ALGUNS PREGADORES PENTECOSTAIS?


     Sei que o título da postagem é forte, ainda mais vindo de um pregador que também é pentecostal. Já de início deixo claro que não pretendo aqui depreciar ninguém e portanto não vou citar nenhum nome, embora em minha mente eu tenha a imagem de alguns desses conhecidos pregadores pentecostais que tanto ouvi no passado, mas hoje já não consigo mais. Sei que pode parecer um paradoxo, mas também reconheço que estes pregadores pentecostais, no modelo que citarei a seguir, são sim, muitas vezes, homens de fato chamados e capacitados por Deus, mas não resta dúvida de que uma pessoa pode agir mau em relação àquilo que recebeu de Deus (lembremo-nos da parábola dos talentos!). Fica claro também que esta minha aversão não é por questões pessoais - evidente! - haja vista eu não conhecer pessoalmente esses pregadores. Essa aversão vem em decorrência das atitudes deles ao púlpito, diante das pessoas. Que atitudes são essas? Eu respondo:

     1) Arrogância - vejo isso com frequência em conhecidos pregadores pentecostais. Postam-se diante da Igreja com ar de superioridade, fazem questão de pronunciarem frases em inglês, mudam a voz, citam sua formação e com quem estudaram e por aí vai. Isso é um perigo! Como disse um grande teólogo pentecostal brasileiro: "As pessoas que não são querem mostrar que são, mas as que não são geralmente não demonstram que de fato são!" Alguns procuram até justificar esse comportamento usando textos isolados da Bíblia, esquecendo-se contudo da exortação de Paulo em Filipenses 2.5ss, sobre o valor da humildade. Que nossos jovens pregadores jamais trilhem por esse caminho mau!

     2) Grosseria - essa é também outra atitude que tem se tornado comum a alguns pregadores pentecostais conhecidos. Recentemente vi um caso que me chamou a atenção. O pregador mandou uma irmã calar a boca ao microfone! Fiquei estarrecido! Este tipo de coisa jamais deveria acontecer em nossos cultos. Alguém procura justificar esse comportamento dizendo que se trata do temperamento de cada um, de sua terra de origem e por aí vai. Mas, pergunto: não é a vida cristã uma busca contínua pelo fruto do Espírito (Gl 5.22), que inclui a mansidão? Um alerta: não confundamos grosseria e falta de educação com autoridade de Deus! São coisas TOTALMENTE distintas.

     3) Sensacionalismo - outro subterfúgio lamentável que é usado por pregadores pentecostais no afã de "mover a massa", levar o povo a glorificar. Nós pentecostais criamos a cultura de que a nossa pregação só tem êxito se a Igreja glorificar e vibrar com a pregação. Com isso, já vamos ao púlpito submetidos à esse pensamento e com isso passamos a querer como que, através de recursos psicológicos, forçar a Igreja a glorificar em alta voz e vibrar com cada frase que pronunciamos. Sem dúvida que é algo glorioso quando a Igreja glorifica a Deus, em alta voz ou não, quando a Igreja chora, quando a Igreja corresponde ao que falamos. Sim! Isso é ótimo e como pregador eu reconheço isso. Mas penso que isso tem de ser algo natural, não artificial. A Igreja deve ser levada a adorar, não forçada a adorar. Adoração é algo espontâneo. 

     Minha conclusão diante do exposto é que devemos definitivamente evitar esses erros e não tomar esses pregadores pentecostais que assim agem como referências para nós e para nossos jovens que estão iniciando no ministério da pregação bíblica. É claro que o Movimento Pentecostal nos deu grandes pregadores! Eu ainda me pergunto de onde é que extraímos esse modelo vergonhoso que vemos nesses pregadores, pois o Movimento Pentecostal em suas raízes não oferecia isso! É preciso que eu diga ainda que esses erros são cometidos não apenas pelos pregadores famosos. Nosso olhar recai mais sobre eles por estarem em evidência, mas isso ocorre também em "nossa casa", em nossos templos, pois infelizmente muitos tem adotado esse modelo. Mas minha oração é para que voltemos (inclusive esses pregadores famosos aos quais tenho aversão) a pregar com simplicidade, anunciando a Cristo e não a nós mesmos!

Em Cristo,
Roney Ricardo.


domingo, 9 de dezembro de 2012

“O Avivamento nos Dias do Livro Esquecido”


“O Avivamento nos Dias do Livro Esquecido”
2 Reis 22.8

INTRODUÇÃO
            Precedido por dois ímpios reis, que governaram a nação de Judá de forma hedionda, Josias, assumindo agora o trono de Judá, age totalmente diferente. O cronista bíblico afirma que ele reinou sobre Judá 31 anos, tendo começado a reinar com a idade de oito anos apenas. Com apenas 16 anos de idade (no oitavo ano do seu reinado) começou a buscar ao Senhor (2 Cr 34.3) e iniciou um reforma espiritual em Judá quando tinha apenas 20 anos (2 Cr 34.3).

I – UM FATO INESPERADO!
            Ao enviar o secretário (ou escrivão, como consta em outras versões) Safã ao Sumo Sacerdote Hilquias com a finalidade de tratar da questão da coleta das ofertas para a manutenção das obras de restauração do templo, o Sumo Sacerdote dá conta de que havia encontrado algo muito especial: Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu”.

II – O QUE ACONTECE QUANDO A PALAVRA DE DEUS É ENCONTRADA?
            Percebemos na leitura do texto bíblico, na narrativa que encontramos ali, que houve surpresa por parte do sacerdote Hilquias, do escrivão Safã que recebeu e leu o livro da Lei (possivelmente se tratava de um exemplar do Pentateuco, ou do livro de Deuteronômio) e principalmente da parte do rei Josias. Depreendemos disso que este Livro Santo achava-se perdido há tempos! Certamente jazia como um objeto esquecido no interior do templo, mas agora, achado!
O que acontece quando a Palavra de Deus é encontrada? Procurarei responder a esta pergunta com base no próprio texto bíblico em que está embasado este esboço, considerando que hoje, em pleno século 21, quando a Bíblia é de longe o livro mais impresso, mais publicado, mais vendido e mais lido no mundo inteiro, além de ser também o mais traduzido, é também o Livro que está “esquecido” por milhares de cristãos em nosso tempo. Nesse sentido, a Bíblia encerra um verdadeiro paradoxo!

Quando a Bíblia é encontrada:

Ø  Ocorre avivamento genuíno! Avivamento que vem pelo reconhecimento do pecado, pela convicção de pecado, pela convicção de que precisamos ser restaurados por Deus! Diz a Bíblia: Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes” (2 Re 22.11).  Podemos afirmar, sem medo de errar e tendo como testemunhas a História Bíblica e a História da Igreja, que não há avivamento sem o retorno genuíno às Sagradas Escrituras!

Ø  Ocorre quebrantamento. Lemos mais adiante, nas palavras da profetiza Hulda, quando ela fala em relação ao piedoso rei Josias: Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, quando ouviste o que falei contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor” (2 Re 22.19). “O teu coração se enterneceu”, “te humilhaste perante o Senhor”, “rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim” são expressões que denotam uma atitude de quebrantamento perante o Senhor. Deus não resiste à um coração quebrantado! O profeta Isaías afirma: Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15).

Ø  Ocorre o adiamento do juízo divino. Deus prometeu a Josias que seus olhos não veriam o mal que Ele permitiria vir sobre Judá, como castigo por sua rebeldia, dado o seu arrependimento e contrição perante o Senhor (2 Re 22.19,20). Lembremo-nos do grande avivamento ocorrido em Nínive, que prorrogou o juízo divino em aproximadamente 100 anos! (Jn 3.5-10).

Ø  Ocorre atenção às verdades eternas reveladas na Bíblia. Como é maravilhoso lermos o testemunho que o próprio Deus, através da profetiza Hulda dá à respeito do rei Josias: “Já que o seu coração se abriu e você se humilhou diante do Senhor, ao ouvir o que falei contra este lugar e contra seus habitantes, que seriam arrasados e amaldiçoados, e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu o ouvi, declara o Senhor.
Portanto...”
(2 Reis 22.19-20 na NVI). Notemos as expressões bíblicas: “o seu coração se abriu”, “você se humilhou... ao ouvir o que falei...” Quando isto ocorre também em nossas vidas, isto é, quando nosso coração se abre diante das límpidas verdades da Palavra de Deus, quando nos humilhamos diante do Senhor, temos o “Portanto” de Deus, palavra que no contexto da passagem bíblica que estamos analisando indica mudança de atitude da parte de Deus, mudança no sentido de abençoar e não amaldiçoar!

CONCLUSÃO
            Valmir Nascimento, em artigo publicado no CPAD News1, cita a seguinte pesquisa: “Pesquisa realizada pelo editor e jornalista da Abba Press & Sociedade Bíblica Ibero-Americana, Oswaldo Paião, revela uma verdade inconveniente para o mundo evangélico: cerca de 50,68% dos pastores e líderes nunca leram a Bíblia Sagrada por inteira pelo menos uma vez. Foram entrevistados 1255 pessoas de várias denominações, sendo que 835 participaram de um painel de aprofundamento. A desculpa alegada? Falta de tempo”.  O teólogo e pastor, Gilvan Pereira, em sua apostila O Que é Preciso Para Tornar-se Um Verdadeiro Obreiro? (obra que tive o prazer de editar e diagramar), falando sobre a vida devocional do obreiro, faz o seguinte alerta: “Reserve um tempo. Sim, pode parecer impossível encontrar até mesmo dez minutos extras em seu dia agitado. Mas a verdadeira questão é: Quão importante para você é sua relação com Deus? Você consegue tempo para refeições e outras coisas que considera importantes. O dia tem exatamente 1.440 minutos; você não consegue descobrir nem mesmo dez deles para estar com seu Pai celestial? Não espere até ter um tempo livre; você provavelmente não terá nenhum! Em vez disso, reserve um tempo certo todos os dias, um tempo em que você esteja descansado e não seja interrompido (mesmo que inicialmente sejam apenas alguns minutos). Não espere até estar com sono ou preocupado demais. Deus não merece os melhores minutos do seu dia?” (p. 21). No artigo citado aqui, continua Valmir Nascimento: “Caros amigos, ao ler tal pesquisa lembro-me de outro estudo realizado pelo instituto George Barna, conforme relato de Charles Colson e Harold Ficket (A fé em tempo pós-moderno): 70% dos norte-americanos não são capazes de citar cinco dos dez Mandamentos; 50% dos jovens do último ano do ensino médio pensam que Sodoma e Gomorra eram casados. Recordo-me, ainda, daquela velha anedota segundo o qual alguns crentes pensam que as espístolas eram as esposas dos apóstolos (ou esposa do apóstolo Paulo), e que Jesus tocava um intrumento por nome esquife.
É cômico, porém, lamentável, percebermos tal analfabetismo bíblico entre o povo cristão. Alegar falta de tempo para leitura da Bíblia é uma desculpa por demais esfarrapada. Calha, então, relembrar as palavras de Paulo ao jovem obreiro Timóteo: ”Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade..” 2Tm 2.15”.

Em Cristo,
Roney Ricardo

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1 – Site CPAD News.
Link: http://cpadnews.com.br/blog/valmirnascimento/?POST_1_30_++++++UMA+PESQUISA+INCONVENIENTE+SOBRE+PASTORES+E+LEITURA+DA+B%EDBLIA.html
Acesso em 09/12/12