sexta-feira, 22 de março de 2013

Lição 4 do nosso mais novo lançamento: Família Cristã, Projeto e Criação de Deus - CONFIRA!



 LIÇÃO 4

A BELEZA DA VIDA CONJUGAL

 “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam
Êxodo 1.21

INTRODUÇÃO
            O casamento é algo tão maravilhoso que só podia mesmo ter sido criado por Deus. O casamento é algo até paradoxal – duas pessoas, de sexo oposto, de famílias diferentes, unidas numa união de amor e compromisso! Dois seres tão distintos como o homem e a mulher se unem para constituir uma nova família a partir do casamento. Sem dúvida alguma, isso é algo maravilhoso e só podia ser projeto e criação de Deus. Embora em nossa época de pós-modernidade o casamento esteja sendo tão desvalorizado, ele é essencial para a preservação da família. Hoje se fala muito em “novos modelos de família” ou a “nova família”, mas apesar da mudança que está havendo em relação à família, o casamento tem uma importância intrínseca, inerente nele mesmo. Ele é fundamental para o bem estar da sociedade, é um espaço para o crescimento e para a maturação de duas pessoas que se unem pelos vínculos do matrimônio. Se um casamento vai mal, isso não é necessariamente um sinal de que o casamento em si mesmo seja algo ruim. Quase sempre o que leva os casamentos a se tornarem algo ruim para as pessoas são as próprias pessoas que não administram bem seus casamentos. Quando o matrimônio é levado com sabedoria, abnegação, amor e respeito mútuo, ele torna-se uma bênção.

I – TEMPO PARA CONVIVÊNCIA
            Extremamente ativista, o homem do século 21 acaba tendo sua vida mergulhada numa quantidade enorme de afazeres diários, e sem se dar conta, ele acaba não tendo tempo nem para si mesmo, muito menos para a esposa e os filhos. Com freqüência, o home pós-moderno diz: “Não tenho tempo para nada!” Foi o tempo em que apenas o homem vivia esse corre-corre sem fim. A mulher e os filhos também acabam tendo suas agendas lotadas. Como diria o filósofo da PUC de São Paulo, Mário Sérgio Cortella, vivemos num tempo em que os filhos levantam mais cedo que os pais, para ir para a escola! Esse corre-corre contudo, acaba tomando o tempo que deveria ser aplicado no convívio familiar, inclusive e especialmente entre marido e mulher. Quando detectamos essa realidade em nossas vidas, é hora de uma reavaliação. Precisamos refletir se vale mesmo a pena sacrificar a convivência com a família em prol de um alto salário, um bom cargo numa boa empresa, projetos ministeriais, etc. Não resta dúvida de que quanto mais tempo uma família passa junta, mais estrutura ela tem para lidar com as circunstâncias adversas da vida. Que precisamos uns dos outros, a Palavra de Deus confirma isso (Ec 4.9-12).

II – A BELEZA DA VIDA CONJUGAL
            Sem dúvida alguma que o livro de Cantares de Salomão é a referência maior nas Sagradas Escrituras sobre o relacionamento conjugal. Nenhum outro livro da Bíblia explora tanto o assunto como o livro de Cantares. Há passagens, especialmente nas cartas de Paulo, que tratam da questão do casamento, mas em Cantares, numa linguagem poética de altíssima beleza, podemos contemplar a formosura do casamento. Nossa posição teológica quanto à este livro é que ele é, em primeiro plano, um livro que trata da vida conjugal entre um homem e uma mulher. Sabemos que historicamente Cantares tem sido considerado de forma figurativa. O livro trataria do relacionamento entre Deus e Israel e Cristo e a Igreja. Não negamos essa aplicação, mas vemo-nos impedidos, numa leitura imparcial do texto de Cantares, de reconhecer que o objetivo primário do livro é retratar a beleza da vida conjugal entre um homem e uma mulher. Negar isso é negar o próprio texto sagrado do livro. Lembremo-nos de que biblicamente falando não há problema algum quanto à valorização da sexualidade no casamento. Muitas pessoas tem dificuldade de reconhecer isto em Cantares e por isso acabam espiritualizando demais o livro. É preciso equilíbrio! O livro não deixa de ser inspirado porque explora esta questão. Lembremo-nos que o sexo foi por Deus criado e abençoado. É uma fonte de prazer para o casal e de aproximação íntima. Aquilo que, ao contrário, se deve ressaltar é que a figura da união conjugal, tão belamente louvada por Cântico dos Cânticos, é usada freqüentemente no Antigo Testamento como símbolo excelso da aliança de Deus com Israel (Jr 2.1-3; Ez 16; Os 1—3) e, no Novo Testamento, do relacionamento de Cristo com a Igreja (Ef 5.23-32; Ap 21.2,9).

1 – O casal e a intimidade
            Em Cantares de Salomão – o Cântico dos cânticos, o cântico por excelência – temos celebrado o amor mútuo entre um amado e uma amada, que se juntam, que se perdem, que se procuram, que se encontram. O amado é chamado de “rei” (1.4,12) e “Salomão”, que significa “o Pacífico” (3.7,9) e a amada é chamada de Sulamita, “a Pacificada” (7.1), “aquela que encontrou a paz” (8.10). Neste belíssimo poema vemos a beleza da intimidade que existe entre o amado e a amada. Logo no capítulo um lemos as palavras da esposa: Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (v. 2). Essas palavras, como tantas outras que aparecem ao longo do livro, indicam a profunda intimidade que havia entre o casal, que é o foco do poema. A perca da intimidade entre o casal pode levar o relacionamento a dois à ruína. A intimidade entre o casal se vê não apenas na relação sexual, que embora sendo a forma de relacionamento mais íntima do ser humano não encerra por si mesma todas as formas de intimidade. É através de um relacionamento íntimo que compartilhamos as nossas necessidades, os nossos sonhos, projetos e ideais, nossos anseios e dúvidas. Como é bom ter alguém para compartilhar essas coisas e quanto mais quando essa pessoa é nosso cônjuge! Mas a intimidade só existe e só subsiste quando se cultiva o diálogo, a confiança mútua, o respeito às necessidades do próximo e o interesse por ele no conjunto de seu ser.

2 – O casal e a comunicação
            A comunicação é essencial para a vida em sociedade, no trabalho, na escola, enfim, em todas as esferas de vivência do ser humano. No casamento, isso é mais real ainda. Não pode haver comunicação entre o caal se não existir a capacidade de um se exprimir ao outro e de ouvi-lo também. Grandes problemas podem ser solucionados quando há boa comunicação entre os cônjuges. Em momentos de tensão a comunicação geralmente é bloqueada. Nesses momentos, é comum dizer o que de fato não queríamos dizer e ouvir o que de fato não foi dito! É preciso que se cultive a paciência, o amor, a tolerância aos limites do próximo e benignidade. Lembremo-nos de Gálatas 5.22.

3 – O casal e o cuidado entre si
            Uma das coisas mais belas e comoventes da vida conjugal é o cuidade que ela nos propicia através do nosso cônjuge. A Bíblia irá tratar dessa questão com clareza meridiana. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreve algumas vezes sobre o assunto, sempre pontuando os papéis do homem e da mulher no casamento. Em Efésios 5.22-33 ele trata de como deve ser a vida entre marido e mulher tomando como exemplo o relacionamento de Cristo com Sua Igreja. Veja que elevada comparação de valorização Paulo faz ao casamento! Neste texto paulino, prevalece a máxima de que o casamento deve ser pontuado pelo amor, ao ponto do marido ser capaz de dar a sua vida pela sua esposa, como Cristo fez por sua Igreja. Impossível não notar aqui uma boa dose de romance! (cf. Também Cl 3.18,19; Tt 2.5).

4 – O casal e o cuidado com a vida espiritual
            O casal cristão jamais deve descuidar da sua vida de devoção a Deus. Em nosso tempo de corre-corre e agenda sempre cheia, podemos incorrer no erro de não dedicar tempo a Deus. Mas Deus deve ser a nossa prioridade – o Centro do nosso lar. Como já vimos anteriormente, Deus quer toda a família e não apenas uma parte dela. O casal que anda junto com Deus há de ser um belíssimo exemplo para os filhos, que mesmo que não escolham seguir a Cristo em sua vida adulta, haverão de reconhecer nos pais o exemplo cristão. Eu mesmo tenho visto testemunhos assim. Mas louvamos a Deus porque é forte o impacto de um bom testemunho cristão de um casal sobre os filhos que em geral acabam também seguindo nos caminhos do Senhor.

III – CONSERVANDO A BELEZA DA VIDA CONJUGAL
            A fim de manter a beleza do relacionamento a dois, o casal deve observar alguns princípios de vida cristã e de relacionamento, fundamentais para a manutenção do casamento: 

1 – Presente, mas ausente!
            Como o leitor ou leitora já deve ter percebido, neste trabalho estou enfatizando bastante a questão da limitação de tempo que nos é imposta por nosso tempo, dado o acúmulo de atividades que agregamos em nosso dia a dia. Mas esse fato não deve ser ignorado pelo casal. Antes, é fundamental que os dois juntos trabalhem essa questão e procurem ajustar suas vidas da melhor maneira possível. Nessa questão, algumas perguntas devem ser feitas pelo casal:
            1. O nosso trabalho está tomando o tempo que deveríamos dedicar um ao outro e aos nossos filhos? Se for esse o caso, o que podemos fazer para amenizar isso e termos mais tempo juntos?
            2. Os nossos trabalhos ministeriais estão tomando o tempo que deveríamos dedicar um ao outro e aos nossos filhos? Se a resposta for sim, o que podemos fazer para continuar ativos na Seara do Senhor, mas termos mais tempo um para o outro e para os filhos?
            3. O salário que ganhamos de nosso trabalho – investimos uma parte dele na recreação com os nossos filhos e entre nós, em nosso casamento?
            Faça essas perguntas a você mesmo e depois as considere junto com seu cônjuge. Há maridos e há esposas que de tão absortos em seu emprego ou até mesmo tarefas do dia a dia, acabam simplesmente esquecendo o seu cônjuge. Isso é uma porta aberta para o enfraquecimento do relacionamento e da família inteira. O homem e a mulher, cada um em seu papel, precisam estar presentes, correspondendo um ao outro, complementando-se mutuamente. A Bíblia diz: Melhor é serem dois do que um...” (Ec 4.9).

2 – O perigo da mesmice
            A palavra mesmice vem de “mesmo” e significa aquilo que não muda, que permanece inalterável, sempre do mesmo jeito. A mesmice no casamento e na família é sempre uma ameaça. A mesmice pode ser uma realidade no caráter da pessoa – “Nasci assim, vou morrer assim!” – marca de pessoas que não se dispõem a mudar para melhor. Pode ser numa situação em que família vive e que lhe é incômoda. Pode ser ainda uma circunstância que envolva um dos cônjuges e que traga problemas contínuos para o casal. Há pessoas que simplesmente se acomodam ali e não empreendem esforços para melhorar ou resolver a situação. É verdade que nem mesmo Deus fará aquilo que compete a nós. Quando estagnamos na mesmice – “é desse jeito mesmo”, “isso não vai melhorar”, “a vida é assim mesmo” e por aí vai... – paramos de crescer, de nos desenvolver. O casal deve com galhardia enfrentar as vicissitudes da vida e aceitar os desafios. Alguém já disse que “na adversidade acha-se a oportunidade”. Pense nisso! 

3 – O perigo de se inverter os papéis
            Lembro-me de ter ouvido de um colega, certa vez, enquanto ele ministrava uma palestra para casais, sobre uma situação inusitada. Ele contou ter visto uma mulher casada carregando uma botija de gaz! No casamento e na vida em família é real o fato de que temos direitos e deveres. Quando o homem começa a atribuir a mulher aquilo que lhe compete ou vice e versa, o casamento enfrentará problemas, na certa. É fundamental para a saúde do casamento que o homem reconheça seus papéis e valorize os papéis da esposa e que a esposa reconheça seus papéis e valorize os papéis do marido. Cada um deve respeitar o dever e o direito do outro. Um marido omisso em questões em que ele deveria manifestar-se pode acabar sobrecarregando a esposa e vice e versa. Feliz o homem que encontra uma boa esposa, mas feliz a mulher que de igual modo encontra um bom esposo.

CONCLUSÃO
            Terminamos esta lição com as belíssimas palavras do salmista no Salmo 116, o salmo da família: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor!” (vv. 1-4).

EXERCÍCIOS DA LIÇÃO 4
MARQUE “C” PARA CERTO E “E” PARA ERRADO

A.  [  ] Extremamente ativista, o homem do século 21 acaba tendo sua vida mergulhada numa quantidade enorme de afazeres diários, e sem se dar conta, ele acaba não tendo tempo nem para si mesmo, muito menos para a esposa e os filhos.
B.  [    ] De acordo com a lição, o livro de Cantares exalta o amor conjugal.
C.  [     ] A intimidade entre o casal se vê apenas na relação sexual.
D.  [    ] Em momentos de tensão é comum dizer o que de fato não queríamos dizer e ouvir o que de fato não foi dito!
E.  [     ] Uma das coisas mais tristes em relação ao casamento é que ele não nos propicia cuidado.

Em Cristo,
Roney Ricardo,
Diretor Acadêmico do IBFI




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