segunda-feira, 14 de novembro de 2016

BREVE, MUITO BREVE...

Eu ainda não me acostumei com a brevidade da vida,
E talvez ela seja tão breve,
Que eu nem tenha tempo de me acostumar com sua brevidade.
O homem na foto é meu pai.
Este foi o último registro fotográfico que nossa família fez dele.
Incrível!
Já li Gilberto, Barth, Nietszche, Freud, Freire... e tantos outros ícones das Ciências Humanas. Mas o "autor" que mais marcou e influenciou minha vida, paradoxalmente, não sabia assinar o próprio nome.
Eu era garoto, mas ainda me lembro dele constrangido por não conseguir escrever o nome em um de meus documentos escolares, na secretaria do Colégio Castelo Branco, onde fiz meu ensino fundamental.
E embora fosse totalmente incapaz de articular temas teológicos complexos, como fazemos hoje, ainda me recordo - quase que posso rever o momento! - em que voltávamos da loja de balas e doces, e no caminho eu o agradecia por ele ter ido comigo comprar aqueles doces, pois eu ia revender na porta da minha casa, para ganhar alguns trocados, ao que ele me respondeu, empurrando sua velha bicicleta: "O que eu puder fazer para lhe ajudar meu filho, eu farei sempre".
E o que dizer daquela inesquecível cena dele, parado, à janela de nossa casa, até altas horas da noite, esperando meu irmão chegar? Ou ainda, a sua fleuma diante de circunstâncias tão difíceis que enfrentamos em nossa família, por vezes. Nunca o vi reclamar da comida e como apagar das lembranças (eu nem quereria) aquela cena que vi se repetir tantas vezes: ele, debaixo do cobertor, antes de dormir, orando, orando, orando...
É, ele não sabia articular temas teológicos complexos, mas soube articular uma vida cristã simples que deixou, por meio de seu modo simples de ser e de agir, um profundo e indelével legado, à mim, e à todos que o conheceram.
Dia 29 de Novembro completam-se 15 anos de seu falecimento, de forma trágica, com apenas 52 anos de idade.
Seu nome?
SEBASTIÃO GREGÓRIO.
E como muitos de vocês sabem, embora eu carregue COZZER na minha Carteira de Identidade, minha família, de fato, não tem COZZER no sobrenome. Minha família tem GREGÓRIO no sobrenome!
Que legado deixaremos para nossos filhos?
Espero, com a Maravilhosa Graça de Deus,
revê-lo em breve!

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