quarta-feira, 22 de março de 2017

MAIS UMA REFLEXÃO ECLESIOLÓGICA


Levados por essa tendência, os evangélicos brasileiros por vezes valorizam mais as estruturas e tecnologias à serviço da Igreja do que as próprias pessoas que constituem a Igreja e para a qual são destinadas essas estruturas e tecnologias. Há um interesse irracional pela presença de pessoas cuja única oferta que podem fazer à uma igreja local é a sua voz, ou a sua oratória, ou o seu conhecimento teológico. Criam-se assim estereótipos, que são colocados "nos altos" e ali são idolatrados pelos cristãos contemporâneos. Não se pergunta - certamente por que não há interesse - pelos ideais éticos dessas pessoas e como elas podem influenciar positivamente seus ouvintes. Bauman acertou em cheio: na pós-modernidade as pessoas reúnem-se em torno de ideais estéticos e não em torno de ideais éticos. Admira-se e paga-se pelo visitante que é famoso, mas paradoxalmente desconhecido - nada ou quase nada se sabe sobre sua história pessoal -, e nada ou quase nada se investe naqueles que são conhecidos, homens e mulheres cujas trajetórias estão entrelaçadas com a realidade dessa dada igreja local, numa mescla de suor, esforço, dedicação, sacrifícios e lágrimas despendidos pela sua dedicação à essa comunidade eclesial local. Essa incongruência chocante, tão repetida na Igreja brasileira em suas diversas denominações, é tão evidente e ao mesmo tempo tão ignorada. E isso, sem dúvida, pode ser atrelado à essa agressão tão recorrente que é feita à correta interpretação bíblica, nesse claro distanciamento hermenêutico presente na práxis eclesiológica brasileira.

Parte de um artigo científico intitulado DESAFIOS PARA A MISSÃO DA IGREJA NA PÓS-MODERNIDADE, submetido ao programa de mestrado em Teologia das Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR). 

Roney Cozzer

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