sexta-feira, 24 de março de 2017

SOBRE OS FALTOSOS


Penso que a maneira como nós, cristãos, e a nossa liderança, tratam aqueles que pecaram em sua caminhada é, por vezes, até desumana. Fato é que descartamos pessoas como se descarta objetos. E isso na Igreja brasileira. Ouvimos que toda uma vida de serviço cristão é simplesmente anulada quando uma pessoa peca. Bem - eu admito! - tenho muita dificuldade com isso. Se essa anulação ocorre não seria justamente por causa da nossa dureza de coração em relação ao faltoso? Não deveria ele ser orientado e disciplinado com amor, a fim de ser restaurado, mediante arrependimento sincero? Parece que em nossa querida Igreja brasileira absorvemos essa tendência pós-moderna de coisificar pessoas e personificar coisas. Com isso, se estabelece o utilitarismo, utilitarismo que nos cega em relação ao nosso dever para com o próximo. Em nome de uma pureza e de uma ortodoxia, excluímos e não incluímos, execramos e não curamos, afastamos e não atraímos. Uma vez inutilizado pelo pecado, para que serve o faltoso senão para ser descartado? É claro, não devemos partir para generalizações, mas fato é que isso se repete de forma sistêmica. E certo é que Deus nos julgará por isso. Os evangélicos brasileiros, aparentemente, ainda não aprenderam, à luz do Evangelho de Cristo, a diminuir a tensão entre ajudar o que caiu e abonar seus erros. São duas instâncias diferentes que podem sim existir independentes uma da outra. Aliás, não foi justamente isso que Ele fez por nós, tornando-se homem, morrendo na cruz e ressuscitando para salvar faltosos?
Em Cristo,
Roney Cozzer

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