terça-feira, 11 de abril de 2017

O QUE ESTES OLHARES ME DIZEM?

Da esq. para a dir.: eu e o Missionário, Pr. Adaías de Ávila, pioneiro dentre 
os missionários enviados ao campo pelo DEMADVARDO.

Da esq. para a dir.: Pb. Edson, Secretário do DEMADVARDO, Pr. Adaías e sua esposa, 
Missionária Maria das Graças de Oliveira de Ávila.

Ontem, dia 10 de abril de 2017, tive o privilégio de entrevistar o casal De Ávila, missionários enviados ao Chile e à Argentina pelo DEMADVARDO (Departamento de Missões das Assembleias de Deus do Vale do Rio Doce e Outros), isso lá pelos idos das décadas de 70 e 80. À época, o DEMADVARDO era chamado de "Caixa de Missão". O nosso Projeto Historiográfico, que visa registrar 50 anos de História (a completar-se em 2018) avança e os irmãos Adaías de Ávila e Maria das Graças Oliveira de Ávila foram os primeiros pioneiros dessa história que entrevistamos. Longe, mas muito longe de ser uma atividade enfadonha, temos sido surpreendidos por fortes emoções. 
Ao avançar nas perguntas, ouvindo-os, comecei a pensar em quão bela é a história do Movimento Pentecostal. Os pentecostais, assim como as igrejas históricas, também nos engajamos na Obra de Missões e fomos pioneiros em muitos lugares na plantação de igrejas e desenvolvimento de projetos sociais em nosso Brasil. Nós, pentecostais, também ouvimos o chamado e a ordem do Mestre quanto ao "Ide" e mais do que "cristianizar" cidades, fomos sim impelidos e movidos pelo amor ao outro. Ante a experiência de ouvir pioneiros da obra missionária, me pergunto: Como olhar estes olhos que, inelutavelmente, carregam o peso da experiência e a carga de uma vida dedicada aos outros e não reconhecer que temos uma história marcante? Como "ouvir a firmeza" presente na voz que relata fatos que envolveram aqueles que lá estiveram, que lá fizeram e que lá deixaram e não ser tocado por uma história que é viva e fala por si mesma? Do historiador pode ser esperada certa neutralidade no registro do fato histórico, visando imparcialidade e honestidade neste registro, mas como se sabe, o historiador também impinge sua própria leitura sobre os eventos. E eu aqui tento fazer isso, mas dividindo-me entre a constatação e a documentação dos fatos de maneira honesta, imparcial e essa interpretação pessoal. Ao inquirir o casal de missionários, ao ouvir "o grito do silêncio" gerado pela voz embargada, ao olhar aqueles olhos que pareciam rever no horizonte passado os fatos descritos e que brilhavam ante as preciosas lembranças que marcaram a si mesmos e a outros, como não reconhecer que Deus agiu no passado? E como não reconhecer que Ele continua agindo hoje? Nas palavras deste veterano missionário, Pastor Adaías de Ávila, "o que mantém o missionário é a chamada divina". Ainda em suas palavras, "o período turístico do missionário passa, mas o que permanece é a sua chamada divina". Numa época em que nosso querido Movimento Pentecostal sofre com tantos desmandos e atos egoístas, como foi bom ouvir pessoas que dedicaram suas vidas a outros e ao Outro. O que estes olhares me dizem? A vida tem sentido no serviço prestado a Deus e ao próximo! Ao ouvir estes missionários, desejei sentar-me com o niilista Friedrich Nietzsche e dizer para ele: "Você se enganou Nietzsche! A vida não é tão sem sentido assim como você propõe. Permita-me apresentar-lhe o casal De Ávila".

Roney Cozzer


Um comentário:

  1. O Pr Adaias e uma pessoas que pelos seu olhar e sua simplicidade nos demostra uma forca baseado na sua fé em Deus e suas Histórias contada aqui na igreja onde eu congrego sua coragem e fé que o senhor abençoe perpétua mente .

    ResponderExcluir